LE007

SERMOENS

DO

P. ANTONIO VIEIRA,

Da Companhia de Jesus,

Prégador de Sua Alteza.



 Padre Antonio Vieira


1679-1699



Especificação

Autor: Padre Antonio Vieira


Antigo Possuidor: Writers Library


Edição: 1a. ed. 1679-1699


Publicação: Tomo I - Em Lisboa, na officina de Ioam da Costa.

                   Tomos II, III, IV, V, VI, VII, VIII e XIX - Em Lisboa, na officina de Miguel Deslandes. E à sua custa,

                   & de Antonio Leyte Pereyra mercador de livros.

                   Tomos X - Lisboa, na Impressaõ Craesbeeckiana, a custa de Antonio Leyte Pereyra, mercador

                   de livros.

                   Tomos XI, XII e XIII - Lisboa, na Officina de Miguel Deslandes

                  


Descr. Física:  Tomos I ao XIII

                        13 t. em 13 vols.

                        8to - 20x15 cm


Idioma: Português


Paginação: TI 1 f.b. + 24 p.n.n. + 1.118 cols. + 108 p.n.n.ind. + 2 f.b.

                   TII 2 f.b. +6 p.n.n. + 470 p. +1 f.b + 56 p.n.n.ind. + 2 f.b.

                   TIII 2 f.b. + 10 p.n.n. + 574 p. + 1 p.n.n. + 3 f.b.

                   TIV 2 f.b. + 12 p.n.n. + 600 p. + 2 f.b.

                   TV 2 f.b. + 12 p.n.n. + 624 p. + 1 f.b.

                   TVI 2 f.b. + 8 p.n.n. + 595 p. + 2 f.b.

                   TVII 2 f.b. + 8 p.n.n. + 556 + 2 f.n.n. (erro) + a 557 e a 558 p. + 2 f.b.

                   TVIII 2 f.b. + 24 p.n.n. + 536 p. + 2 f.b.

                   TIX 1 f.b. + 8 p.n.n. +554 p. + 46 p.ind. + 2 f.b.

                   TX 2 f.b. + 8 p.n.n. + 518 p. + 32 p.ind. + 27 p.ind. + 2 f.b.

                   TXI 2 f.b. + 18 p.n.n. + 590 p. + 23 p. + 5 p.n.n. + 1 f.est.

                   TXII 2 f.b. + 16 p.n.n. + 439 p. + 1 p.n.n. + 3 f.b.

                   TXIII 2 f.b. + 16 p.n.n. + 260 p. + 2 f.b.


Conservação: Muito bom; algumas tapas presentes, mas soltas; tomo XI devido a lombada danificada está em duas partes; necessita restauro nas lombadas; miolo muito bem conservado.


Encadernação: Enc. da época inteira em couro marrom escuro, lombada e tapas gravadas a ferro em dourado.


Ilustração: Frontispício no Tomo XI. Algumas vinhetas e capitulares em todos os tomos.


Valor: sob consulta


Ref. Ext.: Barbosa Machado 1, 421 não permite identificar de que impr. se trata

                Borba de Moraes 2, 918-919 não permite identificar de que impr. se trata

                Inocêncio 1, 289 não permite identificar de que impr. se trata

                Sommervogel 8, 659

                Leite, S. Hist. Comp. de Jesus no Brasil 9, 194 não permite identificar de que impr. se trata

                Morais, J. Ed. clandestinas 455

                Payan. Livros clandestinos 317-323

                Samodães 2, 3516

                Smulders, F. Vieira's S. against Dutch arms 45

                BN Lisboa. Bicentenário Pe. António Vieira 80

                Fonseca, M. Adit. 62

                Misericórdia Lisboa. Impr. s. XVII : tip. port. 300


OBS.:  Oferecemos aqui os 13 tomos organizados pelo próprio Antonio Vieira, sendo que o tomo XII mesmo terminado e organizado em 1697, antes de sua morte, infelizmente ele não pode ver impresso, já que a impressão se deu póstuma em 1699. Tomos com ex-libri de "Writers Library".

 


Notas: Tomo I


Na p. de tít. pequena grav.: trigrama da Companhia de Jesus inscrito em coroa de flores;

Ao alto da 2a f. (Dedic.), vinheta com escudo de armas reais de Portugal ladeado por 2 figuras humanas sentadas;

No Índ. dos Sermões (f. 12), Sermão XV com n°. da coln. correto (1039);

Ao alto da f. A//1, vinheta com monograma AM inscrito em rosácea sobre ramagens;

Na f. F//2 r., grande cesto de flores repete-se f. I//4 r., Ee//4 v., Pp//4 v., Ttt//4 r., Pppp//2 v.;

Na f. P//1 v., rosa desabrochando;

Na f. T//3 r., cesto de asas torcidas com flores e frutos;

Na f. Xx//1 v., anjo segurando grinalda de flores;

Na f. Ggg//3 r., vinheta com ramos unidos por laçada repete-se f. Lll//1 v., Ppp//1 r., Eeee//3 v.; Coln. 1050 e 1074 bem num.;

Embora inclua "Erratas", erros do texto estão corrigidos;

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo I


No início, três textos do Pe. António Vieira - a Dedic. ao Príncipe, um Preâmbulo dirigido ao leitor e uma Lista dos sermões impressos em várias línguas, com o nome do autor, em que distingue os autênticos dos que lhe são indevidamente atribuídos - seguem-se o Alvará a favor do autor, por 10 anos, de 30.9.1679 e, depois, os tít.: Sermaõ da dominica da Sexagexima (1); Sermaõ primeyro de quarta feyra de cinza (87); Sermaõ do Santissimo Sacramento em Santa Engracia (143); Sermaõ de N. Senhora da Luz (229); Sermaõ da terceyra quarta feyra da Quaresma (299); Sermaõ de Santo Ignacio (365); Sermaõ da terceyra dominica da Quaresma (449); Sermaõ do SS. Sacramento no Carnaval de Roma (559); Sermaõ da quinta quarta feyra da Quaresma (609); Sermaõ de N. Senhora de Penha de França (693); Sermaõ no sabbado quarto da Quaresma (759); Sermaõ das lagrymas de S. Pedro (843); Sermaõ do Mandato (901); Sermaõ da Bulla da Santa Cruzada (961); Sermaõ segundo de quarta feyra de cinza (1039)


Notas: Tomo II


Na p. de tít. pequena grav.: trigrama da Companhia de Jesus inscrito em rosa;

Texto da Licença "Da religiaõ" com 12 lin.;

Licença "Do Paço" separada do visto por filete;

Em todos os tít. do ind. aparece "Sermaõ";

Ao alto da p. 1, vinheta com ramos cruzados e coroa e cetro ao centro;

Na p. 26, motivos florais;

Na p. 52, pequeno cesto entrançado com flores que caem aos lados;

Na p. 85, vinheta com ramos unidos por laçada repete-se p. 370, 401;

Na p. 125, raminhos unidos por laçada;

Na p. 146, arabesco repete-se p. 241;

Na p. 183, vinheta com ramos unidos por laçada a partir de elemento central repete-se p. 272, 427 e última do Índ.;

Na p. 214, grande composição de flores e folhagem constituindo retângulo;

Na p. 308, grande cesto de flores;

P. [229] e [279] num. 219 e 179, respectivamente.

F. Nnn//4 em branco

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo II


Sermaõ da Rainha S. Isabel (1); Sermaõ de N. Senhora da Gloria (27); Sermaõ da primeira dominga de Quaresma (53); Sermaõ da terceira quarta feyra de Quaresma (86); Sermaõ de S. Antonio em Roma (126); Sermaõ de S. Roque (147); Sermaõ de S. Pedro Nolasco (184); Sermaõ da sexta sexta feyra de Quaresma (215); Sermaõ da quinta dominga de Quaresma (242); Sermaõ de N. Senhora da Graça (273); Sermaõ de S. Antonio no Maranhaõ (309); Sermaõ de S. Bartholomeu (346); Sermaõ do Mandato (371); Sermaõ ao enterro dos ossos dos enforcados (402); Sermaõ da primeira dominga do Advento (428)


Notas: Tomo III

 

Na p. de tít. pequena grav.: trigrama da Companhia de Jesus inscrito em rosa;

Em todos os tít. do ind. aparece "Sermaõ";

Ao alto da p. 1, vinheta com escudo de armas reais de Portugal formato em pele de toiro ladeado por 2 figuras humanas sentadas;

Na p. 23, "cul de lampe" com 2 anjos abraçados emergindo de conjunto de folhagem, flores e frutos repete-se p. 251, 496;

Na p. 64, pequeno cesto entrançado com flores repete-se p. 145;

Na p. 96, arabesco;

Na p. 175, grande vinheta decorativa com figuras humanas repete-se p. 215, 391;

Na p. 316, escudo elíptico com palmeira, inserido noutros elementos decorativos que constituem a base da marca do impr. João da Costa, sem legenda;

Na p. 429, trigrama da Companhia de Jesus inscrito em resplendor e ladeado por 2 anjos repete-se p. 538;

Na p. 466, jarra decorada sobre peanha contendo grande arranjo de flores;

Na p. 574, jarra de asas com flores;

Cad. M com 8 f. a 1a das quais mal pag. (179);

Ultimos 2 cad. com 8 f. (Mm e Nn)

F. prelim. constituídas por cad. de 4 f. e 1 f., este com Erratas da 3a parte;

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

No colofão; "Com todas as licenças necessarias, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo III


Sermaõ do Santissimo Sacramento (1); Sermaõ de Nossa Senhora do Carmo (24); Sermaõ da terceyra quarta feyra da Quaresma (65); Sermaõ de Santo Agustinho (97); Sermaõ da primeyra dominga do Advento (146); Sermaõ da quarta dominga da Quaresma (179); Sermaõ de Santo Antonio (216); Sermaõ de Santa Catherina (252); Sermaõ de dia de Ramos (290); Sermaõ do bom ladraõ (317); Sermaõ do Mandato (355); Sermaõ do Espirito Santo (392); Sermaõ da dominga XIX. depois do Pentecoste (430); Sermaõ pelo bom successo das armas de Portugal cõtra/ as de Hollanda (467); Sermaõ de Santa Theresa (497)


Notas: Tomo IV

 

Na p. de tít. pequena grav.: trigrama da Companhia de Jesus inscrito em rosa;

Ao alto da p. 1, vinheta com escudo de armas reais de Portugal ladeado por 2 figuras humanas sentadas;

Na p. 75, arabesco;

Na p. 105, 2 cornucópias floridas unidas por laçada;

Na p. 133, pequeno arabesco;

Na p. 178, pequeno arabesco repete-se p. 209;

Na p. 247, grande cesto de flores repete-se p. 317, 458, 490;

Na p. 356, arabesco;

Na p. 395, pequena vinheta com flores e frutos;

Na p. 433, pequeno cesto de flores inscrito em moldura ovalada, inserida em cercadura rectangular contendo ramagens;

Na p. 569, motivos florais;

As p. [217] e [455] num. 205 e 554, respectivamente

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo IV


Sermaõ do quarto sabbado da Quaresma (1); Sermaõ de Nossa Senhora do O (45); Sermaõ da primeira sexta feira da Quaresma no Convento de Odivellas (76); Sermaõ das cadeas de S. Pedro (106); Sermaõ de Todos os Santos (134); Sermaõ da segunda dominga da Quaresma (179); Sermaõ da primeira sexta feira da Quaresma na Capella Real (210); Sermaõ de Santa Theresa (248); Sermaõ da quinta dominga da Quaresma (291); Sermaõ do Mandato na Misericordia (318); Sermaõ do Mandato no mesmo dia na Capella Real (357); Sermaõ da primeira oitava da Paschoa (396); Sermaõ nas exequias da Senhora Dona Maria de Ataide (434); Sermaõ de Sam Roque (459); Sermaõ da Epiphania (491)


Notas: Tomo V

 

Na p. de tít. pequena grav.: trigrama da Companhia de Jesus inscrito em rosa, repete-se p. 87;

Em todos os tít. do ind. aparece "Sermão", exceto o XII (Sermaõ);

Ao alto da p. 1, vinheta com trigrama da Companhia de Jesus ladeado por 2 figuras angelicais sentadas;

Na p. 157, pequeno cesto entrançado com flores que caem aos lados, repete-se p. 430, 532;

Na p. 280, "cul de lampe" com custódia ladeada por 2 querubins que emergem de nuvens;

Na p. 328, "cul de lampe" com folhagem estilizada repete-se p. 362;

Na p. 594, grande vinheta decorativa com figuras humanas;

No pé dos cad., referência a "Tom. 7."

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo V


Sermão da primeira dominga do Advento (1); Sermão da segunda dominga do Advento (56); Sermão da terceira dominga do Advento (88); Sermão da quarta dominga do Advento (121); Sermão de Nossa Senhora da Conceição (158); Sermão da dominga decima sexta post Pentecosten (191); Sermão do Sacramento em dia do Corpo de Deos na Encarnação (231); Sermão de S. Gonçalo (281); Sermão da dominga vigesima segunda post Pentecosten (329); Sermão de Nossa Senhora da Graça (363); Sermão de S. João Evangelista (404); Sermaõ da segunda dominga da Quaresma (431); Sermão de Santa Barbara (471); Sermão do sabbado antes da dominga de Ramos (508); Sermão de S. João Bautista (533)


Notas: Tomo VI

 

Na p. de tít. pequena grav.: trigrama da Companhia de Jesus inscrito em rosa;

Ao alto da p. 1, vinehta com escudo de armas coroado contendo 3 flores de lis, ladeado por 2 figuras humanas sentadas;

Na p. 57, "cul de lampe" com flores e folhagem;

Na p. 92, escudo elíptico com palmeira inserido noutros elementos decorativos que constituem a base da marca do impr. João da Costa, sem legenda, repete-se p. 128, 196, 385;

Na p. 226, querubim rodeado de folhagem estilizada;

Na . 354, grande vinheta decorativa com figuras humanas;

Na p. 595, sob o LAUS DEO, composição singela de pequeno cesto contendo flores

No pé dos cad., referência a "Tom. 8."

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo VI


Sermaõ do Santissimo nome de Maria (1); Sermaõ de quarta feyra de cinza (58); Sermaõ de Santo Antonio (93); Sermaõ da terceira dominga do Advento (129); Sermaõ das obras de Misericordia (163); Sermaõ da primeira oitava da Paschoa (179); Sermaõ da segunda oitava da Paschoa (227); Sermaõ de Nossa Senhora da Conceiçaõ (261); Sermaõ da terceira dominga post Epiphaniam (290); Sermaõ da Santa Cruz (326); Sermaõ de Santa Iria (355); Sermaõ da Visitaçaõ de Nossa Senhora (386); Sermaõ da segunda feira depois da segunda somana [sic] da Quaresma (416); Sermaõ da Resurreiçaõ de Christo (469); Exhortaçaõ domestica na vespora do Espirito Santo (514); Exhortaçaõ domestica em vespora da Visitaçaõ de N. S. (534)


Notas: Tomo VII

 

Na p. de tít. pequena grav.: trigrama da Companhia de Jesus inscrito em rosa;

Ao alto da p. 1, vinehta com escudo de armas coroado contendo 3 flores de lis, ladeado por 2 figuras humanas sentadas;

Na p. 51, grande vinheta decorativa redesenhada com figuras humanas repete-se p. 374;

Na p. 92, composição singela de pequeno cesto contendo flores;

Na p. 130, escudo elíptico com palmeira, inserido noutros elementos decorativos que constituem a base da marca do impr. João da Costa, sem legenda, repete-se p. 252;

Na p. 144, pequeno cesto entrançado com flores repete-se p. 558;

Na p. 176, taça simples com flores e frutos;

Na p. 213, rosto feminino entre 2 cornucópias floridas;

Na p. 304, pequena jarra larga e decorada, com base, contendo flores repete-se p. 525;

Na p. 332, grande cesto de asas com flores;

Na p. 422, cesto baixo com decoração em losangos, contendo flores e frutos;

Na p. 494, vaso de flores sobre base;

As p. [532], [533], [536] e [537] num. 352, 353, 356 e 357, respectivamente

No pé dos cad., referência a "Tom. 9."

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo VII

 

Sermaõ da Ascençaõ de Christo Senhor Nosso (1); Sermaõ da dominga vigesima secunda post Pentecosten (52) Sermaõ do Santissimo Sacramento (93); Sermaõ da quinta terça feira da Quaresma (231 [sic]); Sermaõ do nacimento da Mãy de Deos (145); Sermão da publicação do Jubileo (177); Sermaõ de S. Pedro (214); Sermaõ da segunda quarta feira da Quaresma (253); Sermaõ na madrugada da Resurretçaõ [sic] (289); Sermaõ da primeira dominga da Quaresma (305); Sermaõ do Mandato (333); Sermaõ da quarta dominga depois da Paschoa (375); Sermaõ da Visitaçaõ de N. S. a Santa Isabel (423); Sermaõ pelo bom successo de nossas armas (460); Sermaõ de S. Joseph (495)


Notas: Tomo VIII

 

Na p. de tít. pequena grav.: trigrama da Companhia de Jesus inscrito em rosa;

Ao alto da p. de dedic. e da p. 1, vinheta com escudo de armas reais de Portugal ladeado por 2 figuras humanas sentadas;

Na p. 46, grande cesto entrançado de flores dispostas de forma circular repete-se p. 89, 134, 171, 388;

Na p. 137, jarra decorada sobre peanha contendo grande arranjo de flores;

Na p. 199, jarra de asas com flores repete-se p. 251, 294, 425, 536;

Na p. 274, pequeno cesto com flores repete-se p. 320;

Na p. 464, taça de pé com flores e frutos;

Na p. 496, "cul de lampe" com 2 cornucópias floridas e cruzadas na base

No pé dos cad., referência a "Tom. X."

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo VIII

 

No início, Dedic. do Pe. Baltasar Duarte à Rainha, "Notícia Prévia" e "Advertência Necessária", seguindo-se os 15 Sermões de S. Francisco Xavier: Sonho primeiro (12); Sonho segundo (47); Sonho terceiro (90); Sermaõ I. Anjo (142); Sermaõ II. Nada (172); Sermaõ III. Confiança (200); Sermaõ IV. Pertendentes [sic] (228); Sermaõ V. Jogo (252); Sermaõ VI. Assegurador (275); Sermaõ VII. Doudices (295); Sermaõ VIII. Finezas (321); Sermaõ IX. Braço (351); Sermaõ X. Da sua canonizaçaõ (389); Sermaõ XI. Do seu dia (426); Sermaõ XII. Da sua protecçaõ (265 [sic])


Notas: Tomo IX

 

Na p. de tít. pequena grav.: pequeno cesto com flores;

Ao alto da p. 1, vinheta com trigrama da Companhia de Jesus ladeado por flores e folhagem;

Na p. 37, vinheta com ramos unidos por laçada a partir de elemento central, repete-se p. 46 do ind. depois do LAVS DEO;

Na p. 88, grande cesto entrançado com flores, repete-se p. 166, 202, 365, 409, 483, 521, 27 do ind.;

Na p. 140, pequeno cesto entrançado com flores que caem aos lados;

Na p. 303, grande vinheta decorativa com flores em forma retangular;

Na p. 336, pequeno arabesco;

Na p. 453, arabesco;

No pé dos cad., referência a "Tom. 5."

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo IX

 

Sermões do Rosário num. I a XIV e termina com "Sermam de N. S. do Rosario"


Notas: Tomo X

 

Na p. de tít. pequena grav.: representando um querubim;

Ao alto da p. 1, vinheta com cabeça animal ao centro, invertida;

As p. [3], [191], [536] e [347] num. 5, 197e 489, respectivamente

Na p. 39, grande vinheta com o sol ao centro rodeado pela inscrição "Soli Deo Honor et Gloria", emvolto por 4 figuras angelicais, repete-se p. 458;

Na p. 68, pequena ânfora central com motivo floral, ornado ao redor, repete-se p. 357, 429 e 32 do ind.;

Na p. 280,  jarra decorada sobre contendo grande arranjo de flores, repete-se p. 323, 390, 387;

Parte dos erros mencionados na Errata corrigidos;

Os 2 Índ. têm pag. e assin. próprias;

No pé dos cad., referência a "Tom. 6.";

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo X

 

Sermões do Rosário num. XVI a XXX


Notas: Tomo XI

 

Front. decorado com brasão da Rainha da Grã-Bretanha D. Catarina de Bragança, a quem o autor dedica o v.;

Na p. de tít. pequena grav.: vinheta retocada do pequeno trigrama da Companhia de Jesus inscrito em margarida rodeada por friso rectangular simples;

Ao alto da p. de dedic. e da p. 1, vinheta com escudo de armas reais de Portugal ladeado por 2 figuras humanas sentadas;

Na p. 45, pequena jarra decorada contendo flores, repete-se p. 590;

Na p. 95, pequeno arranjo floral;

Na p. 137, "cul de lampe" com folhagem estilizada repete-se p. 398;

Na p. 168, pequeno arabesco;

Na p. 205, trigrama da Companhia de Jesus inscrito em rosa;

Na p. 249, pequeno cesto com flores;

Na p. 280, jarra de asas com flores;

Na p. 321, taça simples com flores e frutos, repete-se p. 431, 469, 540;

Na p. 343, pequeno cesto com flores;

Na p. 480, cesto baixo com decoração em losangos, contendo flores e frutos;

A p. [483] num. 583;

Último Sermão com pag. e assin. próprias;

Emendados quase todos os erros referidos na Errata;

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças, & privilegio real";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo XI

 

No início, Dedic. do Pe. António Vieira à Rainha D. Catarina da Grã-Bretanha, seguindo-se os tít.: Sermaõ de Santa Catharina (1); Sermaõ de Saõ Joseph (46); Sermaõ da primeira sesta feira da Quaresma (96); Sermaõ de Santo Antonio (138); Sermaõ das quarenta horas (171); Sermaõ do Evangelista S. Lucas (206); Sermaõ do B. Estanislao Koska (250); Sermaõ do demonio mudo (281); Sermaõ domestico na vespera da Circumcisaõ (322); Sermaõ de S. Antonio (344); Sermaõ dos bons annos (399); Sermaõ da quinta dominga da Quaresma (432); Sermaõ das dores da Sacratissima Virgem Maria (470); Sermaõ de acçaõ de graças pelo nacimento do Infante Dom Joaõ quarto filho do Serenissimo Rey D. Pedro II. de Portugal (481); Sermaõ gratulatorio a S. Francisco Xavier, pelo nacimento do mesmo Infante (512); Sermaõ do felicissimo nacimento da Serenissima Infanta Teresa Francisca Josepha; que por vir depois de impresso este tomo, se acrecentou no fim delle


Notas: Tomo XII

 

Na p. de tít. pequena grav.: vinheta retocada do pequeno trigrama da Companhia de Jesus inscrito em inscrito em resplendor rodeado por friso rectangular duplo;

Na p. 21, jarra de asas com flores e frutos;

Na p. 53, pequena ânfora com arranjo froral, repete-se p. 147;

Na p. 77, cesto baixo com decoração em losangos, contendo flores e frutos;

Na p. 106, taça simples com flores;

Na p. 169, grande vinheta decorativa redesenhada com figuras humanas, repete-se p. 340;

Na p. 228, cesto alto com decoração em losangos, contendo flores;

Na p. 315, pequeno querubim sentado, rodeado com motivo floral;

Na p. 361, escudo elíptico com palmeira, inserido noutros elementos decorativos que constituem a base da marca do impr. João da Costa, sem legenda;

As p. [213], [380] num. 123, 170 respectivamente;

Colofão no verso da penúltima f.;

Reclamo da p. 13 "velava";

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças";

Texto a 2 coln.

Contém: Tomo XII

 

Sermaõ... da Conceiçaõ da Virgem Maria (1); Sermaõ... de Saõ Roque (22); Sermaõ... da exaltaçaõ da Santa Cruz (54); Sermaõ... da degollaçaõ de Saõ Joaõ Baptista (78); Sermaõ... de Santo Antonio (107); Sermaõ... da quarta dominga da Quaresma (133); Sermaõ... da Resurreiçaõ de Christo (148); Sermaõ... no nascimento da Princeza nossa senhora (170); Sermaõ... da quarta dominga da Quaresma (203); Sermaõ... das chagas de Saõ Francisco (229); Sermaõ... de Santo Antonio (252); Sermaõ... do Santissimo Sacramento (295); Sermaõ... da primeira dominga da Quaresma (316); Sermaõ... das chagas de Saõ Francisco (341); Sermaõ... de Saõ Joseph (362); Sermaõ... de Santo Antonio (380)


Notas: Tomo XIII

 

Na p. de tít. pequena grav.: pequeno cesto de flores com base e orla em cordão;

Na vinheta da apres. da carta do Pe. António Vieira ao Pe. Leopoldo Fuess com criança ao centro, rodeada de flores e animais, em friso de fantasia;

1o Sermão termina p. 56 com arabesco;

2o Sermão começa p. 57 "Palavra de Deos empenhada [sic]..." e termina p. 120 com grande monograma decorado e coroado;

3o Sermão começa na p. 121 e termina p. 239 com 2 cornucópias floridas unidas por laçada, verso em branco;

P. 173 bem num;

Índ. da p. 241 a 260;

Por baixo do pe de imprensa: "Com todas as licenças necessarias";

Contém: Tomo XIII

 

Sermaõ... da Conceiçaõ da Virgem Maria (1); Sermaõ... de Saõ Roque (22); Sermaõ... da exaltaçaõ da Santa Cruz (54); Sermaõ... da degollaçaõ de Saõ Joaõ Baptista (78); Sermaõ... de Santo Antonio (107); Sermaõ... da quarta dominga da Quaresma (133); Sermaõ... da Resurreiçaõ de Christo (148); Sermaõ... no nascimento da Princeza nossa senhora (170); Sermaõ... da quarta dominga da Quaresma (203); Sermaõ... das chagas de Saõ Francisco (229); Sermaõ... de Santo Antonio (252); Sermaõ... do Santissimo Sacramento (295); Sermaõ... da primeira dominga da Quaresma (316); Sermaõ... das chagas de Saõ Francisco (341); Sermaõ... de Saõ Joseph (362); Sermaõ... de Santo Antonio (380)


 

 

SOBRE O AUTOR

 

                            Um dos homens mais notáveis de Portugal, um dos mestres da nossa língua um dos primeiros pregadores do seu tempo, um homem cuja inteligência vastíssima abrangia todos os assuntos e resplandecia em todos os campos.

 

N. em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1608, sendo baptizado no dia 15 desse mês na Sé metropolitana da mesma cidade; fal. na Baía a 18 de Julho de 1697. Era filho de Cristóvão Vieira Ravasco, fidalgo de nobre ascendência, e de D. Maria de Azevedo.

 

Nos fins de 1615 partiu com a sua família para a Baía, não se sabe bem, porque motivo, supondo com grande fundamento João Francisco Lisboa que foi por seu pai ter sido nomeado secretário do governo da Baía, lugar que efectivamente por muito tempo exerceu. A 20 de Janeiro de 1616 iam naufragando nos baixos da Paraíba, e quase milagrosamente se salvaram. Ainda depois teve António Vieira uma gravíssima doença, de que escapou para glória do seu nome e da sua pátria, que tanto havia de ilustrar com o seu maravilhoso engenho.

 

Começou a estudar no colégio da Companhia de Jesus, mostrando, contudo, no princípio dificuldades em aprender. É de crer que os padres jesuítas, vendo o grande talento que o seu juvenil discípulo manifestava, procurassem o mais possível, como sempre faziam, atrai-lo ao seu grémio. Diz o próprio P. António Vieira, que sentiu uma grande vocação para a vida religiosa numa tarde de Março de 1623, quando estava ouvindo o P. Manuel do Carmo pregar, fazendo uma descrição do inferno. É bem possível, que efectivamente, sentindo desabrochar em si próprio o talento oratório, e percebendo que só no púlpito o poderia manifestar dum modo prestigioso, se sentisse arrastado para a carreira que tais triunfos lhe proporcionaria. Um dia manifestou a seus pais a vontade que tinha de professar, e eles opuseram-se terminantemente. Procuraram por todas as formas dissuadi-lo desse desejo, mostrando lhe todos os seus inconvenientes, e tentando chamá-lo à razão, mas nada conseguiram. Cristóvão Ravasco manteve-se firme na recusa, e o filho esperou que o tempo o tornasse menos intransigente. Como assim não acontecesse, na noite de 5 de Maio de 1623 fugiu da casa paterna e foi para colégio dos jesuítas. Parece que os padres não seriam estranhos a essa resolução, porque, conforme dissemos, eles procuravam por todos os modos chamar para o seu instituto as grandes inteligências, e não desperdiçariam decerto um tal discípulo. Os pais empregaram ainda todos os esforços para o arrancarem do poder dos jesuítas, mas António Vieira não se dissuadiu do seu propósito, e no fim dos dois anos de noviciado fez os primeiros votos, e a 6 de Maio de 1625 passou à classe dos escolares, ligando se então por votos secretos e tomando cargo das obrigações do ensino.

 

Tão precocemente se desenvolvia o seu talento, que aos 17 anos de idade já era encarregado de escrever em latim as anuas que eram enviadas da província ao geral de Roma, e aos 18 era mandado leccionar retórica no colégio de Olinda, e depois filosofia dialéctica. Ali se manifestaram também brilhantemente as suas admiráveis faculdades intelectuais, fazendo ele uns comentários a Séneca e a Ovídio, comentários que se perderam, como os que fez, como teólogo, a várias passagens da Escritura. Aos 20 anos frequentava teologia, e os superiores lhe permitiam redigir uma apostilha para as suas próprias lições; aos 30 era nomeado mestre de teologia. Passou ao 3.º grau da Companhia, dos coadjutores espirituais, e depois de ter dito a primeira missa, em 1635, começou a exercer as funções de pregador, inerentes ao referido grau. As suas provas estavam dadas, e só lhe faltava a idade para se elevar a professo e ser admitido ao 4.º voto, pelo qual reconhecia o papa como único poder legítimo na terra. Como pregador, revelou desde logo os prodigiosos dotes oratórios que o distinguiam. Pode mesmo dizer-se que ascendeu, logo nos primeiros sermões, aos mais altos da oratória, porque foi em 1610 que pregou o seu famoso sermão contra os holandeses. As circunstâncias eram terríveis. A Baía já fora ameaçada pelas armas de Maurício de Nassau, e os desastres sucediam-se uns aos outros com a maior rapidez. Foi então que na catedral da Baía se começaram a fazer preces pelo sucesso das armas portuguesas que tão infelizes andavam. Num dos dias de preces coube ao P. António Vieira a vez do pregar. Tomou por texto do sermão a frase: Exurge, quare obdormis, Do mine? Dirigindo-se a Deus, não como suplicante mas como censor, num rapto sublime de patriotismo e de dor, dirigiu à Providencia essa famosa apostrofe, que é um dos trechos mais belo os da tribuna sagrada ou profana de todos os países, apostrofe em que a acusa amargamente de ter abandonado os seus fiéis portugueses que pela fé tantos sacrifícios fizeram, para proteger os hereges da Holanda, que eram os seus inimigos. E rematando com uma ironia sublime, diz a Deus que há-de ser bem pago daquelas complacências, que da sua tão favorecida Holanda receberá a condigna recompensa das suas predilecções, porque a Holanda lhe mostrará como lhe há-de dar adorações e culto. Não se conhece rapto algum de eloquência que exceda em força e em energia a este admirável trecho. Devia produzir uma comoção eléctrica nos ouvintes e pôr-lhes em vibrações a fibra patriótica. O que se vê, porém, desse sermão, pregado em princípios de 1610, é que já nesse tempo o P. António Vieira era um orador de primeira ordem, que excedia a todos os do seu tempo em todo o mundo, porque não começara ainda a tornar-se notável o pregador francês Bossuet, o único que se lhe pode pôr a par.

 

Pouco tempo depois chegou à Baía a notícia da restauração de Portugal e da aclamação de D. João IV. Acompanhou o marquês de Montalvão o movimento nacional, e querendo participar isso para Lisboa, mandou seu filho D. Fernando de Mascarenhas cumprimentar o novo monarca e oferecer-lhe a sua homenagem. Não o deixou, porém, vir só; deu-lhe por companheiros de viagem e mentores o P. António Vieira e o P. Simão de Vasconcelos, cronista da Companhia de Jesus. Os três saíram da Baía a 27 de Fevereiro de 1641 e sofreram tão violenta tempestade durante a viagem, que não puderam ir aportar a Lisboa, como queriam, mas sim a Peniche, que era então governada pelo moço conde de Atouguia. Chegaram em fins de Abril, e tiveram uma recepção hostil. Ao saber-se em terra que vinha a bordo o filho do marquês de Montalvão, o povo amotinou-se. É que a marquesa de Montalvão e os filhos que com ela viviam no continente europeu, tinham seguido o partido de Castela, e portanto eram considerados traidores à pátria tanto este filho que chegava do Brasil, como os dois padres jesuítas que o acompanhavam. 0 conde de Atouguia quis protege-los contra a fúria do povo, mas não conseguiu evitar que o P. António Vieira fosse agredido e que o filho do marquês recebesse um ferimento na cabeça. Foi metendo este último na cadeia, que o conde de Atouguia conseguiu salvar-lhe a vida, ao passo que o P. António Vieira descobria traças de seguir para Lisboa na dia 30, e nesse mesmo dia falar ao rei, que o recebeu com a maior afabilidade.

 

Foi no dia 1 de Janeiro de 1642 que o P. António Vieira pregou pela primeira vez em Lisboa na capela real. «Se houvermos de dar crédito, diz o seu biógrafo João Francisco Lisboa, ao testemunho unânime de amigos e inimigos, foi verdadeiramente prodigioso o efeito produzido. O orador sabia perfeitamente moldar-se ao gosto e necessidade do tempo, assim na escolha e preferência dos assuntos, como nos ornatos dó estilo e meneios oratórios, se bem a incontestável superioridade do seu talento corrigisse ou atenuasse em grande parte os vícios mais comuns entre os seus contemporâneos. Ou agitasse as grandes questões políticas como a restauração da independência nacional, a paz, a guerra, os meios de sustenta-la, ou tratasse doa assuntos simplesmente religiosos e morais mais próprios do seu ministério, o estilo, ora grave, solene levantado, ora brando e familiar, segundo a ocasião, a eficácia e nobreza da declamação e do porte, certa novidade no modo de opor e argumentar, que trazia o cunho particular do seu engenho, a facilidade, pureza, copia e energia de linguagem, tudo lhe atraiu e avassalou a multidão, para conter a qual eram ordinariamente insuficientes os templos mais vastos . Acolhido pelo rei como amigo dilecto, exerceu logo a máxima influencia na política do seu tempo. Eram os seus sermões muitas vezes verdadeiros discursos políticos com que procurava fazer triunfar na opinião publica as medidas que se pretendiam adoptar, tal é, por exemplo, o seu notável sermão de Santo António, pregado quando estavam reunidas as cortes em Lisboa, para conseguir que todos, nobreza, clero e povo, contribuíssem com o pagamento dos impostos para se acudir ao perigo geral.

 

De facto, a ascendência do P. António Vieira sobre o ânimo de D. João IV era a mais completa que possa imaginar-se; ele tinha entrada. franca no paço, assistia ás conferências do rei com os ministros, vivia nas secretarias do Estados, e os tribunais e juntas eram obrigados a ir conferenciar com ele, cujo parecer era apresentado por escrito ao rei. Parece que esta sua ingerência nos negócios públicos, ingerência em que os seus sentimentos patrióticos tomaram muitas vezes o passo ás suas ideias de jesuíta, lhe causou desgostos no seio da Companhia de Jesus, que parece ter pensado em o e expulsar, ao que obstou D. João IV. Também parece que, por essa ocasião, o rei o quis fazer bispo, para o libertar da tutela da Companhia, e que ele rejeitou a mitra. Mas deixar a política, não o fazia ele, porque tinha uma vocação. incontestável. São admiráveis os seus pareceres a respeito de diversos assuntos, inclusivamente a respeito de assuntos de guerra, sendo a carta em que ele aconselha a guerra defensiva uma das mais sensatas da sua vasta colecção epistolar. A ele se deveu a organização duma companhia de comercio, no género das que tinham feito a gloria e a riqueza da Holanda, e apesar da companhia de comercio portuguesa não chegar a ter nunca o mesmo desenvolvimento, contudo prestou na restauração das nossas colonial relevantes serviços. Nesta sua campanha a favor da companhia do comércio sustentou Vieira algumas ideias notavelmente arrojadas para o seu tempo, e que não contribuíram pouco para a inimizade que a Inquisição lhe votou.

 

Pregou a doutrina da tolerância com os judeus para que Portugal pudesse reaver a riqueza que se estava acumulando na Holanda, dizia que a troco da, sua participação na companhia do comercio se devia ter com eles a máxima tolerância, e não o disse só, e não o escreveu simplesmente nos seus livros, mas pregou o até nos seus sermões. Em Roma fizeram a tudo isso a maior oposição, ' conseguiram que se revogasse um alvará pelo. qual se concedia que os bens dos que fizessem„ parte da companhia do comércio ficassem isentos de confisco, ressalvando assim os bens dos cristãos novos. Entretanto, cada vez mais confiado na vasta inteligência do P. António Vieira, D. João IV, depois de o nomear pregador da sua câmara e mestre de seu filho o príncipe herdeiro D. Teodósio, deliberou tombem empregá-lo na diplomacia, e mandou-o como seu enviado particular, sem carácter algum oficial, a França e à Holanda, em Março de 1646, e nessa primeira viagem, tratou apenas de se informar do que se pensava a nosso respeito no seio dos gabinetes francês e holandês, exercendo uma certa fiscalização sobre os actos dos ministros, coisa que em resultado deu bastantes queixas e protestos. Na segunda viagem, que foi em 1647, tratou já de assuntos importantes em Paris com o cardeal Mazarino, em Haia com os Estados. Em Paris teve grandes contendas com o cardeal Mazarino para impedir a realização de um projecto em que fazia o máximo empenho Mazarino, que era o de casar o príncipe D. Teodósio com mademoiselle de Lougueville, vindo para Portugal o príncipe de Condé, que ficaria regente do reino até o príncipe D. Teodósio, chegar à maioridade, retirando-se D. João IV para o Brasil. Esse projecto concorreu muito o P. António Vieira para que se dissipasse. Em Amesterdão não prestou o P. António Vieira ao seu país idênticos serviços, porque foi, e é essa a grande mácula da vida política deste sábio e perspicacíssimo varão, um dos que supuseram que Portugal não podia resistir ás forças da Espanha na Europa, e ás da Holanda na América, foi um dos que imaginaram que era preferível ceder à Holanda de vez o que na América se lhe contestava, e se lhe contestava vitoriosamente, abandonando ao seu destino aqueles heróicos rebeldes de Pernambuco, que sem auxilio da pátria, antes renegados por ela, teimavam em querer ser portugueses. Francisco de Sousa Coutinho, ministro português na Haia, chegou e de certo de acordo com o P. António Vieira a assinar em nome do rei de Portugal a cedência da capitania de Pernambuco aos holandeses. Foi, alegava ele depois, o único modo que teve de impedir a saída duma esquadra holandesa, que ia decerto esmagar, debaixo de forças imensamente superiores, a insurreição pernambucana. É certo, porém, que o P. António Vieira, não só nessa ocasião, mas depois em Portugal e em frequentíssimas ocasiões, defendeu a todo o transe a ideia da paz com a Holanda, a troco da cedência de Pernambuco, escrevendo até um parecer, que teve o título de Papel forte, que lhe deu D. João IV. por achar fortíssima a sua argumentação.

 

Prevaleceu, contudo, a opinião contraria à do rei e à do seu inteligentíssimo conselheiro, ou antes vieram as dilações e demoras da discussão impedir que se fizesse coisa alguma, e entretanto iam correndo em Pernambuco os sucessos tão prósperos, para nós, que, contra a vontade do rei, novamente passou à coroa portuguesa a opulenta província de Pernambuco. 0 P. António Vieira nunca pôde resignar-se a confessar abertamente o seu erro e a sua culpa, dizendo apenas algumas vezes que ele se guiara pelos lumes falíveis da razão, em vez de confiar nos milagres da Providencia. Numa carta, porém, que escreveu ao conde da Ericeira, para rectificar alguns pontos que lhe pareceram menos, exactos do Portugal restaurado, procurou tornar Francisco de Sousa Coutinho exclusivamente responsável pela política de transigência com os Países Baixos. Era uma pequena traição. 0 Papel forte bastava para depois demonstrar que o P. António Vieira sempre tivera pouquíssima confiança no resultado da luta com os holandeses, e que opinava abertamente pela política da conciliação e da transigência, à custa dos mais caros interesses de Portugal na América. Em 1650 partiu ele em nova missão diplomática, missão de. alta Importância, posto que não fosse decerto das mais patrióticas. Tratava-se de se pôr termo à guerra entre Portugal e a Espanha, por meio do casamento do príncipe D. Teodósio com uma filha de Filipe IV.

 

Era a reconstituição da união ibérica que se planeava assim, fazendo-se de Lisboa a capital de toda essa vasta monarquia, e ficando assim esse trono na Casa de Bragança. Vieira devia ir a Roma tratar esse negócio, todo de interesse da dinastia mas contrário ao interesse nacional, com o embaixador de Espanha junto da Santa Sé, duque do Infantado, mas ao mesmo tempo era incumbido também duma missão contraditória, porque o encarregavam de fomentar a revolução de Nápoles, que rebentara por esse tempo, o que podia ser uma feliz ocorrência para o governo de Portugal. Resultou desta dupla missão o não poder conseguir coisa alguma. Os revolucionários de Nápoles queixaram-se de que o agente português nada fizera por eles, e o duque do Infantado, sabedor do que se tramava, fez saber ao geral dos jesuítas que, se não fizesse sair imediatamente de Roma o P. António Vieira, teria de dar ordem para que o jesuíta português fosse assassinado. Vieira saiu, portanto, muito à pressa de Roma, malogrando-se, felizmente para Portugal, a sua nefasta missão. Regressando a Portugal, encontrou em Lisboa discórdia entre a família real. O príncipe D. Teodósio, discípulo amado dos jesuítas, e muito especialmente do P. António Vieira, apareceu de súbito secretamente no exército do Alentejo, coisa em que o rei seu pai se mostrou muito melindrado, fazendo-o recolher a Lisboa, pouco depois da sua partida. Uma carta que o P. António Vieira escrevera ao príncipe, dando-lhe conselhos, serviu de base à acusação que lhe fizeram de ter sido ele que aconselhara ao príncipe essa expedição que tanto desagradara ao rei. Foi de certo essa acusação que modificou bastante as disposições do rei para com o seu favorito, porque o era incontestavelmente e muito o P. António Vieira. D. João IV protegeu-o por largo tempo contra os seus inimigos, que não eram poucos, entrando principalmente nesse número os seus superiores e confrades. Admira que uma companhia tão desejosa de preponderância, se mostrasse hostil a um dos seus que alcançara do príncipe a mais absoluta privança, que dominava o animo de toda a família, que possuía altíssimos talentos e enorme influencia política Mas é que o P. António Vieira mostrava uma certa independência, que era completamente contrária ao dogma fundamental da companhia, que era o da obediência cega às ordene superiores. O P. António Vieira trabalhava por sua conta, e pensava mesmo em introduzir reformas na Companhia, coisa que os mais antigos da ordem lhe levavam muito a mal. Daí resultou que os seus superiores desde 1614 lhe ordenassem positivamente que partisse para as missões do Maranhão. Vieira conseguiu por muito tempo iludir essas ordens sucessivas, protestando ao princípio as suas missões políticas a Madrid e a Sabóia, valendo-se depois de todos os recursos possíveis, e ia ficando. Um dia simulou que obedecia às ordens superiores e embarcou, mas conseguiu que daí a pouco o rei o mandasse desembarcar e voltar ao Paço. Entretanto, a paciência da Companhia ia se apurando, e o favor do rei para com ele desaparecia, pelos motivos já citados, e a 22 de Novembro de 1652 recebeu ordens terminantes de embarcar para o Maranhão, e efectivamente embarcou, porque já lhe era impossível iludir por mais tempo essas ordens. Contava, porém, que a bordo encontraria ou receberia ordem do rei para não seguir viagem, e tal não aconteceu. 

 

A sua influência no ânimo do rei estava morta. Teve de partir, pois, e numa carta que de Cabo Verde escreveu ao príncipe D. Teodósio, dizia-lhe que estava aflitíssimo com a sua imprevista partida. Foi esse o justo castigo da sua duplicidade, porque, fingindo sempre que todo o seu desejo era servir a causa da religião católica, e que só muito constrangido obedecia às ordens reiteradas do rei que não podia passar sem ele, afinal foi vitima da sua própria astúcia, e teve de partir profundamente ferido no seu amor próprio, ao ver que D. João IV se desprendera com facilidade dos laços em que julgara tê-lo perpetuamente preso. Foi bastante trabalhosa a viagem. O navio teve de arribar a Cabo Verde, onde sé demorou algum tempo, desembarcando Vieira para pregar, causando tanto sucesso que a população manifestou desejos de que ele ficasse na ilha, tendo Vieira de embarcar quase secretamente para seguir a viagem. No princípio de 1653 chegou ao Maranhão, onde foi recebido com muito jubilo, mas onde teve logo que lutar, como superior do colégio dos jesuítas, com a má vontade do capitão general e também com a má vontade do povo. Defendiam os jesuítas nessa ocasião uma causa justíssima naquela capitania brasileira, a causa da liberdade dos índios. Queriam os portugueses residentes no Maranhão conserva-los escravizados, queria o governo emancipa-los, queria emancipai os também a Companhia, e quando no Maranhão se publicou uma lei mandando restituir à liberdade os índios cativos, houve ali uma verdadeira sublevação, chegando a estar em perigo o colégio da Companhia. Valeu então de muito aos seus confrades e aos povoe daquela terra a voz prestigiosa e eloquente do P. António Vieira, que muitas vezes, pregando na catedral, amansou e acalmou as inquietações e turbulências populares. Contudo, viu ele bem, porque foi necessário transigir com os que possuíssem índios escravos, que aquele estado de coisas era insustentável e que se tornara indispensável alcançar do governo da metrópole as medidas indispensáveis para garantir a liberdade dos índios. 

 

Encarregou se o P. .António Vieira de ir solicitar em Lisboa essas resoluções, e partiu para Portugal, quase às escondidas, em Junho de 1659, depois de ter pregado ainda quase na véspera aquele famoso sermão de Santo António pregando aos peixes, que é uma das obras primas da sua eloquência. Seguiu para a Europa, e depois de ter padecido, como sempre lhe acontecia nas suas viagens marítimas, grandes tempestades, aconteceu-lhe também cair nas mãos dum pirata holandês, que, depois de roubar a embarcação,. pôs os roubados em terra nas ilhas dos Açores. Algum tempo se demorou Vieira naquele arquipélago, onde foi muito festejado, e na ilha de S. Miguel pregou, perante um auditório entusiasmado o seu admirável sermão de Santa Teresa. Chegou a Portugal no mês de Novembro de 1659, e encontrou o rei D. João IV perigosamente enfermo. Logo, porém, que melhorou, o monarca o mandou chamar a Salvaterra, onde estava. O P. António Vieira expôs-lhe então o assunto a que vinha, conquistou a sua adesão, conseguindo que se organizasse uma junta especial de missões, que se tomassem as medidas que ele desejava em relação aos índios, e partiu enfim de novo para o Maranhão a 16 de Abril de 1655. Durou 6 a 7 anos a sua permanência desta vez no Maranhão, e ali, fez maravilhas a sua infatigável actividade. Estabeleceu missões para o sul, até na serra Ibiapaba entre os Tobajaras, para o norte entre os Nhecujaibas, visitou as com frequência, correndo perigos e suportando as maiores fadigas. Teve, sobretudo, que sofrer a constante oposição dos portugueses, que afinal sublevando-se, investiram conta os colégios dos Padres jesuítas no Maranhão, na Baía e no Pará, sendo nesta ultima cidade preso o próprio P. António Vieira, que foi com os seus companheiros remetido para a Europa, onde chegou nos fins de 1661. Parece, todavia, que nem só do espiritual cuidavam os padres, mas que também entravam muito pelo temporal, invadindo os poderes civis, razão porque lhes aconteceu aquele desagradável facto. Os jesuítas procuravam estabelecer no Maranhão o regime que lograram instituir no Paraguai, pugnava por isso o P. António Vieira, e se bem que os portugueses que se lhe opunham, não tinham em mira senão defender os seus próprios interesses, é certo que nem dum nem doutro lado se defendia com pureza uma causa legitima e sagrada. Ao chegar de novo a Lisboa, o P. António Vieira encontrou a corte totalmente transformada. O rei havia falecido 4 anos antes, e o príncipe herdeiro D. Afonso entregava-se já à devassidão, que havia de formá-lo tão tristemente celebre como rei e como marido. A rainha regente D. Luísa de Gusmão acolheu o com entusiasmo, como o teria acolhido o falecido monarca. Mas. vendo então que o sonhado império do Maranhão não podia facilmente constituir-se, desistiu de se ocupar de missões e lançou se de corpo e alma na politica do seu país, então bastante agitada.

 

Por esse tempo terminava a menoridade de D. Afonso VI, e terminava expulsando a rainha da corte os Contis, indignos validos de seu filho. O P. António Vieira foi em todo este assunto o braço direito da rainha regente, e tanto confiava no seu valimento ou tão pouco se temia do moço rei, que não hesitou, por indicação da rainha mãe, em ler-lhe uma severa alocução no acto em que ele tomava posse do governo. O P. António Vieira, porém, não contava com o ministro de D. Afonso VI, o conde de Castelo Melhor, que em breve se assenhoreou do poder, e não consentiu que se tomassem com o soberano que representava, as liberdades que o P. António Vieira entendera dever tomar. A primeira coisa, que fez, foi desterrá-lo para o Porto, em 1662; e depois para Coimbra, em 1663, quando o padre lá imaginava que seria desterrado para o Brasil ou para Angola. Este procedimento do ministro lançou Vieira completamente na oposição, sendo ele um dos que mais trabalharam para que triunfasse a conspiração urdida pelo infante D. Pedro contra o rei seu irmão. Enquanto, porém. não chegava esse triunfo, o P. António Vieira viu-se desamparado do valimento do governo, e esse desamparo em que se encontrou, deu largas aos seus inimigos que o não pouparam Denunciado à inquisição de Coimbra em 1664, foi preso em 1665; e o Santo Tribunal lhe intentou um processo, que terminaria desastrosamente para ele, se não fosse a sua imensa popularidade. O P. António Vieira havia muito que incorrera nos ódios da Inquisição; as suas opiniões bem conhecidas a respeito dos cristãos novos, o seu trato com os hereges da Holanda não o tinham posto em cheiro de santidade perante o Santo Ofício Umas tendências extravagantes da sua potente imaginação e do seu subtilíssimo espírito, que se comprazia em adivinhações, necromancias, explicações proféticas das escrituras, agravaram ainda a sua situação. Os livros que serviram de base ao processo, foram o Quinto Império e a Clavis Prophetarum, e o P. António Vieira, longe de confessar o erro e de pedir que lho desculpassem, quis à viva força defender o seu livro, as suas explicações e o seu sebastianismo, porque António Vieira era sebastianista também, e foi um dos grandes propagandistas das trovas do. Bandarra. Durou largo tempo o processo, porque a Inquisição não se dava por satisfeita e impunha que reconhecesse os seus erros, a que o padre jesuíta se recusou, e talvez se não salvasse da fogueira, se a Companhia o abandonasse à sua sorte, e o papa Alexandre VII não interviesse a recomendar-lhe que se retractasse. A sentença do terrível tribunal foi proferida a 23 de Dezembro de 1667. Condenando Vieira a perder a voz activa e passiva, proibindo-lhe a predica, e ordenando lhe que se recolhesse a um colégio de noviços, ele, consumado teólogo; um homem de espírito impressionável poderia ter caído fulminado ao ouvir ler a infamante sentença; ele, não; ouviu-a de pé e imóvel durante duas horas com o olhar fito num crucifixo do tribunal, e isto depois de 27 meses de cárcere incomunicável. Triunfou, por fim, a revolução palaciana que tirou a D. Afonso VI a coroa e a mulher, mas Vieira não encontrou no príncipe D. Pedro o favor e o valimento que esperava.

 

A pena a que havia sido condenado foi lhe primeiramente comutada pela Inquisição em 6 meses de reclusão, e depois completamente perdoada, em 1668, mas não ficou satisfeito, e vendo que continuaria a pesar sobre ele a influência da Inquisição, entendeu que devia sair de Lisboa. A pretexto de que ia tratar da canonização de 40 santos da Companhia, partiu para Roma, mas o seu fim único era conseguir que o papa anulasse a sentença. Em Roma foi recebido pelos jesuítas com as máximas honras e as maiores distinções. Pregou alguns dos seus mais admiráveis sermões na igreja portuguesa, e como muitas personagens dos mais notáveis em Roma lamentavam que tão notável orador pregasse numa língua que nem todos entendiam, António Vieira, depois de se habilitar convenientemente, pregou em italiano. Era uma empresa difícil, por pregar em língua estranha, sobretudo quando um dos principais méritos do orador era a vernaculidade incomparável da sua linguagem. Pois foi extraordinário o seu triunfo, e uma das pessoas que mais se deixaram cativar pelo talento assombroso do jesuíta português, foi a rainha abdicatária da Suécia, Cristina, que residia em Roma, depois de se ter convertido à fé católica, e que instou muito com o P. António Vieira, para que ele aceitasse o lugar de seu confessor. Vieira escusou-se, muito lisonjeado com o convite, mas da que não podia consolar-se, era de não continuar a figurar na politica do seu país, e tanto mais que o papa Clemente X o havia isentado da jurisdição do Santo Ofício Por muitas vezes solicitou dos seus amigos de Lisboa, que alcançassem do regente D. Pedro que o incumbisse de alguma missão diplomática, mas tudo foi inútil. D. Pedro, sem que se saiba porquê, nunca se mostrou afeiçoado ao P. António Vieira, apesar do ter trabalhado dedicadamente em seu favor, e o padre vingava-se daquela ingratidão, increpando-o indirectamente num sermão de Santo António. Depois voltou-se para a rainha de Inglaterra, D. Catarina, que sempre lhe fora muito afeiçoada, mas D. Catarina estava indignadíssima por causa da revolução do palácio que destronara D. Afonso VI, seu irmão, e portanto não podia simpatizar com o papel que o P. António Vieira desempenhara em toda aquela intriga.

 

Em 1674 regressou a Portugal, depois de ter recebido em Roma as mais lisonjeiras manifestações de apreço e de entusiasmo. No seu regresso foi incumbido de tratar em Florença o casamento do herdeiro do grão-ducado de Toscana com a princesa herdeira de Portugal, negócio em que não foi feliz. Passou ainda 5 anos em Portugal, conservando e ampliando cada vez mais a sua reputação de orador sagrado, mas sem tornar a representar na política o papel brilhante que tanto ambicionava Resolveu se então a partir para a Baía, mas demorou-se ainda dois anos em Lisboa, depois de ter tomado esta resolução, por lhe custar muito a arrancar-se da pátria, e também a perder a esperança de voltar a figurar na política. Embarcou, finalmente, para a Baía, despeitado e desiludido, a 27 de Janeiro de 1681, e recolheu-se à quinta do Tanque, na convivência do seu inseparável companheiro o P. José Soares, que o incitava à compilação completa de todos os seus sermões e escritos morais.

 

Contava já 73 anos de idade, e parecia que devia estar cansado da vida agitadíssima que levara, mas é certo que, apesar dos achaques de que frequentemente se queixava, parecia conservar-se em pleno vigor e em pleno viço da mocidade correspondendo-se com um grande numero de altas personagens da corte portuguesa, e intervindo em todos os manejos políticos da terra em que vivia. Era velho costume, que dificilmente conseguiriam desarreigar-lhe do espírito. Demais era seu irmão Bernardo Vieira Ravasco secretário do governo da Baía, e isso naturalmente o incitava a ocupar-se da política. Fazia mal, contudo, sabendo que não podia contar com o regente D. Pedro como contara com D. João IV, tanto mais que o governador da Baía, que chegara pouco tempo antes de Vieira, era António de Sousa de Meneses, conhecido pela alcunha de Braço de prata, homem brutal e violento, que não hesitava doente da glória do eminente orador. Deu-se na Baía um triste caso, que foi o assassínio dum funcionário português por um seu inimigo António de Brito, que era muito parcial de Bernardo Vieira Ravasco, e muito protegido pelo P. António Vieira. Resultou deste incidente irritar-se o governador muito seriamente, e acusar abertamente Bernardo Vieira Ravasco de incitador do crime, e o P. António Vieira de seu cúmplice. 0 padre teve com o governador uma entrevista violenta. Sucedia que na Baía todos estavam a favor do secretário e do jesuíta seu irmão, mas em Lisboa não sucedia o mesmo, onde Bernardo Vieira Ravasco foi inclusivamente pronunciado. Partiu para Lisboa o filho do secretário Gonçalo Vieira Ravasco, afim de solicitar justiça do rei, ou antes do regente. Logo o recebeu D. Pedro, e disse-lhe em formais palavras e sem rodeios, que estava muito pouco satisfeito com seu tio, porque este lhe descompusera o seu governador. 0 P. António Vieira, quando soube o que o rei dissera, teve uma síncope, e depois ficou doente. Andava tão habituado ao favor da corte, e em tão elevado apreço tinha o valimento dos reis que não se podia conformar com a ideia de ter perdido as boas graças do soberano. Escreveu queixoso a todos os seus amigos da corte, lamentando ser tão mal tratado por um soberano, a quem prestara tantos serviços, antes dele subir ao trono, e que tanto auxiliara nesse empenho. Mostrou-se mesmo amargamente ressentido, mas era tão insensivelmente cortesão, que chegando à Baía a notícia da morte da rainha que fora mulher dos dois irmãos, e tendo sido convidado para pregar o sermão das exéquias, anuiu imediatamente. 0 processo em que o P. António Vieira fora envolvido com seu irmão, protelou-se até 1687, concluindo-se pela falta de base para pronuncia da qualquer deles e no ao. no seguinte a Companhia de Jesus o nomeou visitador da província do Brasil, cargo em que tinha de despender uma energia superior às suas forças, muito enfraquecidas pela velhice. Teve então de abandonar a sua quinta do Tanque, e recolher-se ao colégio da ordem da cidade. Ainda assim exerceu dois anos, segundo o costume, esse cargo, até que já quase no túmulo; sofreu uma última indignidade. Reunindo-se a congregação para se eleger um dos padres que devia ir como procurador a Rema, foi acusado o padre Vieira de ter andado solicitando votos. Deram-lhe como provado o crime e o superior do colégio não hesitou em repreender o grande homem, o venerando velho na presença de todos. Apelou para Roma de tal decisão o P. António Vieira, Roma deu-lhe razão, mas quando chegou a resolução final, que dava planíssima satisfação ao grande homem ultrajado, já ele não existia. 0 P. António Vieira morreu com perto de 90 anhos. Tanto na Baía como em Lisboa fizeram lhe pomposas exéquias.

 

SOBRE A OBRA

 

                            Os sermões de Vieira publicaram-se ainda em sua vida, muitos deles soltos, até que principiou a formar se a colecção em 1679 em que saiu o 1.º volume. 0 2.º publicou-se em 1682, o 3.º em 1683, o 4.º em 1685, o 5.º em 1689, o 6.º em 1690, o 7.º em 1692; o 8.º que compreende o Xavier Dormindo e o Xavier acordado, em 1694; o 9.º, que assim depois foi classificado, mas que se publicara à parte como a 1.ª parte da colecção de sermões do Rosário, imprimiu-se em 1686, e o 10.º que era a segunda parte da mesma colecção, em 1688, o 11.º em 1696. Depois seguiram póstumos em 1699 o 12.º; o 13.º saiu em 1690, mas com o título de Palavra de Deus empenhada e desempenhada em dois sermões; Há ainda outros 3 volumes, mas que foram organizados pelo P. André de Barros o 14.º em 1710, o 15.º em 1748, mas saiu ao mesmo tempo como 2.º volume das Vozes saudosas da eloquencia do padre Antonio Vieira, cujo 1.º tomo saíra em 1736. Ainda em 1754 apareceu um volume com 12 sermões de Vieira, pregados todos em louvor de Santo António, e que se dá como tomo XVI da colecção. Estes sermões foram muitas vezes reimpressos, mas sem se lhes dar o carácter de edição nova, reimprimindo-se, sem se alterar a data dos volumes, que iam escasseando já muito no mercado. Em 1852 saíram 6 tomos de Sermões selectos do padre António Vieira, e mais tarde, fez-se também outra edição de sermões escolhidos do P. António Vieira com o título de 0 Chrysostomo portuguez.

 

Sobre a sua literatura, pode-se classificá-la como pertencente ao período barroco. Sua obra constitui-se de cerca de 200 sermões, 500 cartas - importantes documentos históricos que abordam a situação da Colônia, a Inquisição, os cristão-novos, a relação entre Portugal e Holanda, entre outros fatos - e, ainda, profecias. Considera-se que o melhor de sua obra encontra-se nos sermões que, em linguagem simples e sem torneios de estilo, revelam extraordinário domínio da língua, imaginação, sensibilidade, humanidade e convicções.

 

Utilizando-se da retórica jesuítica no trabalho das idéias e conceitos, Vieira mostrou-se um barroco conceitista, no desenvolvimento de idéias lógicas, destinadas a persuadir o público, e clássico na clareza e simplicidade de expressão. Seus temas preferidos foram: a valorização da vida humana, para reaproximá-la de Deus, e a exaltação do sofrimento, porque nele está o caminho da salvação.

Das obras do Padre Antônio Vieira, vamos destacar o Sermão da Sexagésima, pregado em 1655 na Capela Real, que versa sobre a arte de pregar em suas dez partes. Neste sermão, o Padre Vieira usa de uma metáfora: pregar é como semear. Ao traçar paralelos entre a parábola bíblica sobre o semeador que semeou nas pedras, nos espinhos (onde o trigo frutificou e morreu), na estrada (onde não frutificou) e na terra (que deu frutos), Vieira critica o estilo de outros pregadores contemporâneos seus, considerando que pregavam mal, pois pregavam sobre vários assuntos ao mesmo tempo, logo o resultado era a pregação de nenhum assunto, em decorrência disso, para Vieira, a pregação tornava-se ineficaz, a agradar aos homens ao invés de agradar a Deus.

 

Possivelmente, tal visão decorre de que é mais fácil pregar para agradar aos homens do que a Deus, pois quem está a ouvir, a seguir a religião, e a construir novos templos, são os homens e não Deus. Quem tem o poder para seduzir com bens materiais aqueles que pregam em nome de Deus - sejam esses pregadores Padres, Freis, Abades... - , é o homem, e não o próprio Deus. Então, é mais fácil pregar para os homens do que para Deus, talvez sendo daí o interesse demasiado em pregar para agradar aos homens. Também são os homens insatisfeitos que podem adotar outra religião - como ocorreu com aqueles que aderiram ao calvinismo, ao anglicanismo ou optaram por seguir o "luteranismo" - ou ainda são os homens que podem decidir por seguir a ala do próprio catolicismo que esteja a pregar da forma que mais convém ao ouvinte.

 

O assunto básico do sermão, à primeira vista, é a discussão de como é utilizada a palavra de Cristo pelos pregadores. Um olhar mais profundo mostra que o autor vai além do objetivo da catequese, adotando atitude crítica da codificação da palavra. Percebe-se, também, que o Sermão é usado como instrumento de ataque contra a outra facção do Barroco, representada pelos chamados cultistas ou gongóricos.

 

No Sermão da Sexagésima, Vieira expôs o método4 que adotava nos seus sermões:

1. Definir a matéria.

2. Reparti-la.

3. Confirmá-la com a Escritura.

4. Confirmá-la com a razão.

5. Amplificá-la, dando exemplos e respondendo às objeções, aos "argumentos contrários".

6. Tirar uma conclusão e persuadir, exortar.

 

Vale ressaltar o contexto histórico da época do Padre, uma época onde varias atitudes tomadas pelo catolicismo eram apoiadas inclusive pelo próprio poder temporal - já que não é simples separar a Igreja e o Estado português neste momento da história -, como converter almas ao cristianismo.

 

Nessa época, o mundo assistia: a Santa Inquisição a atuar em pleno vapor, que inclusive fez visitações ao Brasil colonial nas regiões Nordeste e Norte, além de em outras terras pertencentes ao Império Colonial Português como Angola, Madeira e Açores, e vale ainda citar que Goa possuía o seu próprio tribunal do Santo Ofício; também se assistia a imposição do cristianismo para muitos índios no Brasil; além dos negros africanos que para cá foram trazidos e também lhes foram imposto o catolicismo.

 

Considerando o contexto de conversões forçadas da época do Padre Vieira e analisando apenas o sermão que fora pregado em 1655, o padre aparenta ser contra a conversão forçada que imperava no período. No entanto, em alguns sermões ele justifica a escravidão, tanto indígena quanto a negra, com argumentos religiosos, como o de que no juízo final esses escravos terão suas almas salvas, no Céu serão servidos pelo próprio Deus, ou ainda, a comparar o sofrimento dos escravos ao martírio do próprio Cristo.

 

É bem verdade que Vieira tivera problemas com os colonos no Brasil causados pela questão da escravidão, pois se posicionava a favor da igualdade que não agradava em nada aos habitantes da Colônia e ao voltar ao Reino, não recebeu da regente Dona Luísa o mesmo apoio que fora dado a ele por D. João IV (que a essa altura já havia falecido), além de a Inquisição ter-lhe proibido em 1663 de pregar em terras portuguesas.

 

Vieira questionava a escravidão e a desigualdade com argumentos como que um dos Reis Magos era negro; "hei-de ser vosso senhor, porque nasci mais longe do sol, e que vós haveis de ser meu escravo, porque nascestes mais perto?!"; e que ao ser batizado, todos são iguais perante Deus, meio da irmandade entre todos os seres humanos; e ainda como afirma Bosi "Do ponto de vista da ortodoxia Vieira sabia-se respaldado por vários documentos de papas favoráveis à liberdade dos índios (...)"

 

No entanto, Bosi ainda mostra que "sob o pretexto de guerra justa, a Igreja permitira o cativeiro..." e Vieira possuía a mesma postura ambígua e contraditória de sua Igreja: "Não é minha tensão que não haja escravos, antes procurei (...) que se fizesse (...) [o] cativeiro lícito". Pode-se entender que a adoção da idéia de cativeiro lícito foi uma forma de conciliar os interesses, uma concessão por parte de Vieira para amenizar os problemas que estava a ter com os colonos cá no Brasil.

Assim, "chega o momento da proposta conciliadora que Vieira apresenta aos colonos renitentes", que classifica as populações que tinham a possibilidade de ser escravizadas no Maranhão em três grupos que são "os escravos que já estão na cidade", que tem o direito de escolher se continuam a trabalhar ou não; "os que vivem nas aldeias de el-rei como livres"; e os que "vivem nos sertões", que só poderiam ser trazidos aqueles que estivessem presos em tribos inimigas e para serem mortos, é o que justificava a escravidão.

 

Também é valido ressaltar que o discurso de Vieira para os escravos de origem africana era sempre a comparar o sofrimento deles ao martírio de Cristo, a persuadir os negros com a identificação entre eles e o Deus filho: "Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado: porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz, e em toda a sua paixão".

 

Sobre a escravidão dos povos de África, Vieira ainda afirma, no sermão XXVII, que o sacrifício que estavam a passar era compensador, pois assim essas almas estariam redimidas por terem no passado seguido religiões pagãs ou terem vivido sob o Império Islão, e que o cativeiro era algo somente terreno, além de ser um meio para em um plano superior conseguirem a liberdade, e a liberdade eterna, a liberdade da alma.

 

Vieira ainda afirmou que "todos aqueles escravos que neste mundo servirem a seus senhores como a Deus (...) no Céu, senão o mesmo Deus em Pessoa, o que os há-de servir".

 

Portanto, é evidente a postura contraditória do Padre Antônio Vieira, pois ora ele posiciona-se a favor das populações oprimidas pela escravidão, inclusive a incomodar os colonos - visto o problema que teve com estes no Maranhão, por exemplo -, ora ele justifica a escravidão com argumentos religiosos, principalmente nos discursos para os cativos.

 

Independente de ter sido a intenção de Vieira ou não, fato é, que argumentos religiosos muitas vezes são usados para tentar manipular populações de acordo com os desejos e as necessidades da classe dominante. Pois ao causar medo nos ouvintes da fúria de um Deus impiedoso ou prometendo para injustiçados e para aqueles que a vida era uma completa desgraça - como no caso dos escravos - uma vida melhor e mais justa em um outro plano, o espiritual, que é superior e eterno, acaba por fazer que essas populações tenham esperança de conseguir a liberdade um dia, nem que seja no pós-morte. Muitos dos argumentos utilizados para os escravos por parte de Vieira podem ser entendidos como uma maneira de "acalmar os ânimos" das vítimas da escravidão, fazendo com que essa população passe a conformar-se com o seu estado de subjugação e projete para um plano superior a solução dos seus problemas, que na verdade eram insolúveis.

 

Mas por mais que argumentos religiosos tenham tentado fazer com que essas populações aceitassem passivamente a sua situação por estar a serviço de uma Igreja - que era altamente atrelada a um Estado que tinha como base na Colônia a escravidão de índios em um primeiro momento e depois de negros africanos -, ou de classes que tinham interesse na escravidão, se essas populações aceitaram tal discurso religioso quem sabe não é porque tiveram realmente as suas sofridas almas confortadas por ele ou por outros sacerdotes. Por mais resistências em relação ao cristianismo que tenham havido por parte de índios e negros, aceitar a religião do dominador, daquele que o escraviza é algo realmente difícil, e se aconteceu, quem sabe em parte não foi por pregadores dotados de uma grande capacidade de persuasão, como era o caso de Vieira.

 

Sobre o Sermão da Sexagésima, seu autor interessava saber o motivo de a pregação católica estar surtindo pouco efeito entre os cristãos. "Sendo a palavra de Deus tão eficaz e tão poderosa", pergunta ele, "como vemos tão pouco fruto da palavra de Deus?" Depois de muito argumentar, Vieira conclui que a culpa é dos próprios padres. "Eles pregam palavras de Deus, mas não pregam a palavra de Deus", afirma. Dito de outra maneira, o jesuíta reclama daqueles que torcem o texto da Bíblia para defender interesses mundanos. No sermão proferido, o Padre também procura criticar a outra facção do Barroco, logo a utilizar o púlpito como tribuna política.

 

No entanto, se muitas vezes o Padre Antônio Vieira procurava conduzir a opinião pública de acordo com a sua visão, transformando o púlpito em tribuna política, isto não era uma característica somente sua : "no século XVII, como frisou C. R. Boxer, o púlpito desempenhava também funções que hoje cabem aos jornais, à rádio, à televisão, enquanto instrumentos nas mãos dos governantes."