Os Lusiadas

 

Luiz de Camões

 

 1857



Especificação

Autor: Luiz de Camões


Publicação: Pariz, typ de Vandil

 

Edição: ed. ? - 1857


Descr. Física: 8to. - 21x12x1.5.cm


Idioma: Português


Paginação: 1 f.g. + 252 p. + 1 f.g.


Conservação: Muito bom; f. moderadamente escurecidas; um pico de inseto que atinge a obra do começo ao fim, suprimeindo algumas letras, mas sem prejudicar o entendimento.


Encadernação: Enc. do séc. XX 1/4 em couro roxo, lombada gravada em dourado.


Ilustração: Algumas vinhetas e tarjas


Valor: R$120,00


Notas: Na p. de tít., peq. grav. xilogr. "folhagem com cobra ao centro".

         

     

 

SOBRE O AUTOR

 

                            N. em Lisboa em 1524, fal. nesta mesma cidade a 10 de Junho de 1580. Era filho único de Simão Vaz de Camões, e de sua mulher D. Ana de Sá e Macedo, filha de Jorge de Macedo e aparentada com a casa de Vimioso. 

 

Em 1527, declarando-se grande epidemia de peste, D. João III e a Corte fugiram para Coimbra, e Simão Vaz de Camões acompanhou el-rei, com sua mulher e seu filho, que apenas contava três anos. Quando D. João voltou para Lisboa, conseguiu ficar em Coimbra em companhia de seu irmão, D. Bento de Camões, cónego de Santa Cruz, e mais tarde, atendendo ao estado precário da sua casa, partiu para a Índia em busca de melhor fortuna. D. Ana ficou só com o filho, sendo muito auxiliada pelo cunhado, que se tornou um desvelado protector de seu sobrinho. Aos 10 anos, em 1534, matriculou-se Luís de Camões num dos colégios que tinha o convento de Santa Cruz, onde seguiu o curso de artes, que constava do quatro anos, sendo por isso mais tarde chamado bacharel latino, por Falcão de Resende. Quando a Universidade voltou novamente para Coimbra, em 1537, Luís Vaz, como o poeta era mais conhecido entre os escolares, foi ali matricular-se em Teologia. A sua vida de estudante tornou-se irrequieta e desordeira. O tio D. Bento de Camões andava muito desgostoso, porque desejava que o sobrinho seguisse a vida eclesiástica, e via-o muito requestador de damas, mostrando pouca vocação para a igreja. Chegando aos 17 anos, em 1541, conseguiu licença para deixar as aulas de Teologia, e seguir o curso de Filosofia. Já então se revelava poeta, e compôs uma elegia à paixão de Cristo, que ofereceu ao tio, que muito lhe agradou a oferta, reconhecendo o seu grande estro poético. Aos 20 anos, em 1544, encontrou-se pela primeira vez na igreja de Santa Cruz de Coimbra, nas festas da Semana Santa, com D. Catarina de Ataíde, dama da rainha D. Catarina, filha de D. António de Lima, mordomo-mor do infante D. Duarte, e deste encontro nasceu a ardente paixão, que lhe devia ser bem fatal. Nesse mesmo ano, num sarau a que assistiu na segunda feira de Páscoa, em casa de D. Diogo de Sampaio, e em que se combinara um torneio poético entre o poeta da Corte Pedro de Andrade Caminha e Luís Vaz de Camões, D. Juan Ramon, sobrinho do lente da Universidade Martim Azpileneta, julgou-se ofendido por causa duns versos de Camões, seguindo-se um duelo em que o espanhol ficou ferido, sendo preso o poeta. Os estudantes protestaram, o cónego D. Bento empregou toda a sua influência, apresentando-se então em casa do referido lente com sua cunhada, D. Ana de Sá, e só no fim de muitas discussões e instantes pedidos é que se conseguiu o perdão de Camões, com a condição de ser desterrado durante um ano para Lisboa. 

 

Luís Vaz partiu então para a capital, depois de se despedir de sua mãe e de seu tio, que ficaram pesarosos com aquela separação. Sendo apresentado na corte literária da infanta D. Maria, conviveu com os poetas daquela época, ganhando a afeição de D. Manuel de Portugal, ainda seu parente, João Lopes Leitão e Jorge da Silva, também perseguidos por questões amorosas; outros poetas invejavam o esplendor daquele génio privilegiado, rebaixando sempre os seus versos, criticando-os traiçoeiramente; estes poetas eram Jerónimo Corte Real e Pedro de Andrade Caminha, o mais implacável inimigo de Camões. Os amores do poeta com D. Catarina de Ataíde descobriram-se talvez por melindres de outras duas damas de igual nome, uma filha de D. Álvaro de Sousa, e outra filha do segundo almirante D. Francisco da Gama. Camões foi então vítima de muitas intrigas, tanto em Lisboa, como em Sintra, onde se reunia a Corte, sendo os seus versos sempre escutados com verdadeiro interesse pelas damas, que os preferiam aos dos outros poetas, o que mais aumentava ainda a inveja de Pedro Caminha. A paixão que D. Catarina de Ataíde lhe inspirara, e que não pudera totalmente dissimular, a sua querida Natércia, como ele lhe chamava nos seus versos, em anagrama do nome de Catarina, as torturas que sofria pelas intrigas que lhe forjavam, para o desprestigiarem e afastá-lo da Corte, tudo o obrigou a desterrar-se, indo viver sem destino para o Alentejo. Espalhada a notícia do cerco de Mazagão, Camões teve a ideia de ir militar em África em 1547. Serviu dois anos em Ceuta, condição então exigida para entrar no gozo duma comenda; aí começou a ver os sintomas da decadência portuguesa, que lhe suscitaram o pensamento de fixar para sempre o quadro da sua grandeza histórica. Numa surpresa das tribos kabilas, de que pôde salvar-se pela sua valentia, perdeu o olho direito, acidente a que ele chama o fruto acerbo de Marte. Ao receber-se na Corte esta notícia, houve quem aproveitasse aquela honrosa cicatriz para motejos e sátiras, chamando-lhe cara sem olhos e poeta dum olho só

 

Com o regresso de D. Afonso de Noronha em 1549, que estava despachado vice-rei da Índia, saiu Camões de Ceuta, acompanhando-o para Lisboa, e inscreveu-se então na Casa da Índia em 1550, para sair como homem de guerra na armada que partia nesse ano. O tio D. Bento já havia falecido, seu pai regressara a Portugal, e vivia em Lisboa com sua mulher, mas faleceu nesse ano de 1550, ficando unicamente D. Ana de Sá, que estava gravemente doente. A pobre senhora dispunha somente duns pequenos recursos que seu marido havia trazido da viagem. D. Manuel de Portugal, sabendo desta dolorosa situação, foi ao paço com D. Afonso de Noronha, impetrar a clemência real, para que Luís de Camões ficasse em Lisboa, mas só puderam conseguir, que fosse perdoado com a proibição formal de aparecer nos paços, quer de el-rei quer da sua real família, sob pena de ser mandado em ferros para o Brasil, ficando-lhe até fora dos paços proibido de se incorporar com os fidalgos da Corte em qualquer acto público. Camões não queria aceitar semelhante perdão, mas D. Manuel pediu-lhe que o não rejeitasse, em nome de sua mãe viúva e sem ânimo. Camões resignou-se, e começou a trabalhar na sua imortal obra, os Lusíadas, poema que lhe resgataria talvez as culpas de que o acusavam, e lhe abriria novamente as portas do paço, porque sendo o príncipe D. João, filho de D. João III, muito amante da poesia, contava com a sua protecção, se pudesse conseguir ler-lhe o poema. Assim se passaram dois anos com muitos sacrifícios; D. Ana de Sá restabeleceu-se, e Camões tinha já muito adiantados os Lusíadas

 

Deu-se, porém, um novo incidente, e bem funesto. Era o dia do Corpo de Deus de 1559; quando Gonçalo Borges, moço dos arreios de D. João III, passava no Rossio para a rua de Santo Antão, dois embuçados riram-se do seu garbo, e acharam-se dali de repente as espadas desembainhadas. Por fatalidade apareceu Camões, e conhecendo os embuçados como seus amigos, atirou uma espadeirada a Gonçalo Borges, que o fez cair do cavalo, já moribundo. Então é que ficou irremediavelmente perdido; foi preso e encerrado na cadeia do Tronco da Cidade, onde jazeu perto dum ano, saindo a 7 de Março de 1553, livre por perdão do próprio Gonçalo Borges, que conseguira restabelecer-se. Tinha, porém, de partir para a Índia na armada, a 24 desse mês, capitaneada por Fernão Álvares Cabral, embarcando na nauBento. Uma terrível tempestade destroçou a armada, a apenas a nau S.Bento pôde chegar em princípio de Setembro desse ano à Índia, sem ter aportado a Moçambique. Entrando em Goa partiu logo para uma expedição perigosa contra a Chembé; em 1551 esteve no largo e doentio cruzeiro do Mar Roxo junto ao Monte Félix, regressando a Goa na época dos festejos pela nomeação do governador Francisco Barreto, em 1555, em que cooperou com o seu auto de Filodemo, e em que contraiu os ódios que o fizeram ser mandado para Macau. Segundo os cronistas, a vida em Goa era então muito dissoluta, e Francisco Barreto, bastante severo, quis assinalar o seu governo pela reorganização dos serviços públicos. Foi nesta crise que escolheu Camões para provedor-mor dos defuntos e ausentes de Macau, lugar judicial administrativo, que longe da metrópole das colónias só poderia ser exercido por um homem conhecedor de direito, valente e honrado. Camões partiu para Macau em 1556, regressando a Goa no fim de dois anos em 1558, debaixo de prisão, por ser vítima de novas intrigas. Durante o tempo que esteve em Macau continuou escrevendo o seu imortal poema, vivendo na célebre e memorável gruta, que fica colocada dentro duma quinta, a pouca distância daquela cidade. No centro vê-se hoje o busto de Camões, sobre um pedestal; o busto foi modelado por Bordalo Pinheiro, e fundido no arsenal do exército de Lisboa (V. Macau). No regresso a Goa naufragou na foz do rio Mecong, nas costas do Cambodja, onde se salvou a nado, salvando também a odisseia das glórias portuguesas. Ao chegar a Goa, foi logo recolhido à cadeia, a ali recebeu então a notícia da morte prematura de D. Catarina de Ataíde, sucedida em 1556. A 3 de Setembro de 1558 sucedeu no governo da Índia o vice-rei D. Constantino de Bragança, e o poeta foi logo posto em liberdade. Em 1561 houve novo vice-rei, o conde de Redondo, que soube aproveitar-se do talento de Camões para trabalhos da sua secretaria. A situação económica do poeta não melhorara, e no ano de 1562 encontramo-lo preso por dívidas a requerimento de Miguel Rodrigues, de alcunha o Fios Secos. Um gracioso memorial dirigido ao conde de Redondo lhe fez recuperar a liberdade. Este vice-rei faleceu em Fevereiro de 1564, e Camões gozando vida mais sossegada, continuou a empregar-se no serviço das armas. 

 

No entretanto, as saudades da pátria amarguravam-lhe o coração, e resolveu voltar a Portugal, acompanhado por um escravo chamado António, natural de Java, que muito se lhe afeiçoara, e que sempre o acompanhou no resto da vida. Pedro Barreto partiu de Goa para Moçambique, de cuja capitania ia tomar posse, e ofereceu a Camões levá-lo consigo, porque seria mais fácil encontrar ali embarcação que levantasse ferro para Portugal. Camões aceitou, mas em Moçambique, por causa duma questão que tivera com Pedro Barreto, ficou reduzido a grande miséria, de que seria vítima, se não arribasse em 1569 a nau Santa Fé, que trazia para Portugal o vice-rei D. Antão de Noronha, onde alguns amigos do poeta o auxiliaram, dando-lhe roupa. A nau Santa Fé chegou a Cascais a 7 de Abril de 1570. Camões veio achar Lisboa, depois de dezasseis anos de ausência, devastada pela terrível Peste grande, nome porque ficou sendo conhecida na história. Encontrou sua mãe muito velha e muito pobre, e neste desalento, para maior desgraça, roubaram-lhe ainda o seu livro de versos, e foi furto notório, como escreve Diogo do Couto. Nunca se descobriu o roubador, e Camões não chegou a ver impressa a sua poesia lírica. O seu grande poema, é que conseguiu, depois das maiores dificuldades, um alvará em 23 de Setembro de 1571, para o imprimir, mas só se publicou em principio de Julho de 1572, sendo-lhe dada em 28 desse Mês a tença de 15.000 réis pela sua habilidade e suficiênciadurante três anos, sendo renovada a 2 de Agosto de 1575. Camões continuava a ser guerreado, porque D. Sebastião, projectando a sua viagem a África em 1578, escolheu para cantor da sua futura vitória o poeta Diogo Bernardes. O resto da vida de Camões foi uma completa amargura, e os seus sofrimentos ainda mais se lhe agravaram, quando se recebeu em Lisboa a notícia do desastre de Alcácer Quibir. Na sua grande miséria, o jau, que o acompanhara do Oriente a Lisboa, prestou-lhe o mais dedicado e afectuoso auxílio, chegando a pedir esmola, às ocultas do poeta, para lhe acudir ás instantes necessidades da vida. 

 

Assim faleceu o grande poeta, numa pobre casa da calçada de Santana, ao abandono, tendo por companhia unicamente sua mãe, e o fiel escravo, o jau António. Em alvará de 31 de Maio de 1582, o rei Filipe II, já então de posse de Portugal, mandou transferir para D. Ana de Sá a tença de 15.000 réis, por ser muito velha e muito pobre. 

 

As edições dos Lusíadas são numerosas; o imortal poema está traduzido em todas as línguas. Camões escreveu três comédias: El-rei Seleuco, o Amphitrião e O Filodemo, que se representaram em Lisboa. Além dos Lusíadas, compôs formosos versos elegíacos, bucólicos, satíricos, e uma colecção de sonetos muito apreciáveis; Rimas, publicadas em Lisboa em 1595, tendo depois muitas edições. Têm-se escrito muito acerca do grande poeta; mencionaremos o Plutarcho portuquezCamões, poema do visconde de Almeida Garrett; Camões, drama do visconde de Castilho, representado no Brasil, e impresso em 1849; Camões, drama de Cipriano Jardim, representado no teatro de D. Maria, por ocasião das festas do centenário, em 1880; Historia de Camões, pelo Dr. Teófilo Braga; Diccionario bibliographico, tomos 5, 14 e 15; Luiz de Camões, romance histórico por António de Campos Júnior, etc. Em 1867 inaugurou-se em Lisboa a estátua de Camões, na praça que tomou o nome do grande poeta (V. Lisboa). Em Coimbra também se erigiu um monumento em 1881 (V. Coimbra). Em 10 de Junho de 1880 festejou-se solenemente o terceiro centenário da morte do grande poeta, havendo um pomposo cortejo cívico e brilhantes iluminações. Em Coimbra também se comemorou o terceiro centenário com solenes festejos.

 

 

SOBRE A OBRA

 

                            O nome de Lusíadas (filhos de Luso ou portugueses) aparece pela primeira vez num poemeto latino de André Falcão de Resende, amigo de Camões, sobre a fundação de Roma. O imortal poema Os Lusíadas tem por assunto o descobrimento do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. Toma no canto I o seu herói no momento em que já se aproxima de Moçambique, imagina-o protegido por Vénus que vê nos portugueses os mais directos descendentes dos seus bem amados romanos, e hostilizados por Baco, o antigo conquistador da Índia, que não quer ver a sua glória ofuscada pela dos novos conquistadores. Depois de escapar aos perigos de Quiloa e de Mombaça, Vasco da Gama chegou a Melinde, onde é acolhido hospitaleiramente, e onde conta ao rei, como Eneias a Dido, a história de Portugal e da sua viagem. Nessa narrativa incluem-se os admiráveis episódios de Inês de Castro, da aparição do Ganges e do Indo a D. Manuel, das imprecações do velho de Belém, e sobretudo o do gigante Adamastor. Seguem enfim para a Índia os navegadores, e no caminho numa vigília de quarto de madrugada conta-se o formoso episódio dos doze de Inglaterra. Fundeados em Calecut, são os navios visitados pelo catual, e Paulo da Gama, mostrando-lhe bandeiras onde estão representados muitos heróis, conta-lhe as biografias de alguns celebrados portugueses. Finalmente, regressando a frota a Portugal surge-lhes a ilha dos Amores, onde são acolhidos hospitaleiramente por Tétis, que narra aos navegadores a futura história de Portugal até ao tempo de Camões. Assim se justifica o título do poema Os Lusíadas, encerrando-se nos seus dez cantos todo o ciclo da história portuguesa. Este poema excitou um grande entusiasmo tanto em Portugal como no estrangeiro. Era o primeiro poema regular que aparecia na época da Renascença, a as suas imitações de Homero e de Virgílio bastavam para lhe granjear o favor dos eruditos, assim como o sopro patriótico que o anima, as descrições magnificas das cenas do mar e das cenas de combates bastavam para lhe alcançar imensa popularidade.

 

LISTA CRONOLÓGICA DAS EDIÇÕES EM PORTUGUÊS DE OS LUSÍADAS

 

1572, duas edições, em Lisboa, impressas por António Gonçalves. - 1584 (edição chamada dos Piscos) e em 1591, em Lisboa, ambas por Manuel de Lyra - 1597, em Lisboa, por Manuel de Lyra e Estêvão Lopes. - 1605, duas edições, em Lisboa, por Pedro Crasbeeck e Domingos Fernandes. - 1612, em Lisboa, por Vicente Álvares e Domingos Fernandes. - 1613, em Lisboa, por Pedro Crasbeeck e Domingos Fernandes, anotada por Manuel Correia - 1626, em Lisboa, por Pedro Crasbeeck. - 1631 em Lisboa, por Pedro Crasbeeck. - 1633, em Lisboa, por Lourenço Crasbeeck. - 1639, em Madrid, por Juan Sanchez e Pedro Coelho, anotada por Manuel de Faria e Sousa -1644 e 1651, em Lisboa, por Paulo Craesbeeck, argumentos de João Franco Barreto. - 1663, 1669 a 1670, em Lisboa, por António Craesbeeck de Melo, argumentos de J. F. Barreto. - 1702, em Lisboa, por Manuel Lopes Ferreira, argumentos de João Franco Barreto. + 1720, em Lisboa, por José Lopes Ferreira, anotada por Manuel Correia e argumentos de João Franco Barreto. -1721, em Lisboa, na oficina Ferreirinha, argumentos de João Franco Barreto. -1731, o 1.º vol. em Nápoles, na oficina Parriniana, argumentos de João Franco Barreto. - 1732, o 2.º vol. da mesma edição, em Roma, na ofcina Antonio Rossi, anotada por Inácio Garcez Ferreira. - 1749, em Lisboa, por Manuel Coelho Amado, argumentos de João Franco Barreto.+ 1759, em Paris, por Francisco Ambrósio Didot e Pedro Gendron, argumentos de João Franco Barreto. + 1772, em Lisboa, por Miguel Rodrigues. - 1779 e 1780, em Lisboa, na oficina Luisiana, de Luís Francisco Xavier Coelho, anotadas por Tomás José de Aquino. + 1782 e 1783, em Lisboa, por Simão Tadeu Ferreira, anotadas por Tomás José de Aquino  -1800, em Coimbra, na imprensa da Universidade, editada por Joaquim Inácio de Freitas, argumentos de João Franco Barreto. - 1810, em Lisboa, na Tipografia Lacerdina. - 1808, em Berlim, por J. E. Hetzig e Winterfeld. + 1815, duas adições, em Paris, por P. Didot Senior. -1817 (edição do Morgado de Mateus) em Paris, na oficina de Firmin Didot. - 1818, em Avinhão, por Francisco Seguin, com os argumentos de João Franco Barreto. -1819, em Paris, na oficina de Firmin Didot, anotada pelo Morgado de Mateus. - 1820, em Paris, por Teófilo Barros e S. Smith, com os argumentos de João Franco Barreto. -1821, no Rio de Janeiro, por P. C. Dalbin & C.ª - 1823, em Paris, por J. P. Aillaud e Didot. - 1827, duas edições, em Lisboa, uma na Imprensa Régia, outra na Tipografia Rolandiana. + 1834, em Hamburgo, na oficina de Langhoff, com anotações de J. V. Barreto Feio e J. C. Monteiro. - 1836, em Lisboa, na Tipografia Rolandiana. - 1836, em Lisboa por Borel, Borel, & C.ª - 1836, em Paris, por J. P. Aillaud. - 1841, no Rio de Janeiro, na Tipografia de Laemmert, com anotações de Barreto Feio, J. G. Monteiro e argumentos de João Franco Barreto. - 1842 e 1843, em Lisboa, na Tipografia Rolandiana, sendo a segunda anotada por Francisco Freire de Carvalho. - 1843, em Lisboa, por Santos & C.ª + 1843, em Paris, por Fain e Thunot, anotada por Barreto Feio e J. G.,Monteiro. - 1846, em Paris, pela Livraria Europeia, de Baudry, com anotações de José da Fonseca. -1846, em Lisboa, na Tipografia Rollandiana. -1847, em Paris, por Fermin Didot, anotada por Caetano Lopes de Moura. - 1849, no Rio de Janeiro, por A. de Freitas Guimarães. - 1850, em Lisboa, na Topografia Rollandiana. + 1852, em Lisboa, pela Biblioteca Portuguesa, anotações de Barreto Feio, J. G. Monteiro e José da Fonseca. - 1854, em Lisboa, na Tipografia Rollandiana. - 1855, no Rio de Janeiro, por Domingos José Gomes Brandão. - 1855, no Rio de Janeiro, por Agra & Irmão. - 1856, no Rio de Janeiro, por Laemmert, anotações de Francisco Freire de Carvalho. - 1857, em Lisboa, na Tipografia Rollandiana. - 1857, no Rio de Janeiro, por António Ferreira da Silva. - 1857, em Paris, na Tipografia de Vanduil. – 1859, em Paris, por Didot, anotações de Caetano Lopes de Moura. - 1860, em Lisboa, na Tipografia Rollandiana. - 1860, 1864 e 1868, em Lisboa, por Luís Correia da Cunha. + 1860 a 1869, em Lisboa, na Imprensa Nacional, pelo visconde de Juromenha. -1861, no Rio de Janeiro, por Domingos José Gomes Brandão. - 1863 e 1865, em Lisboa, na Tipografia Rollandiana. - 1865, em Paris, pela Veuve J. P. Aillaud, anotações de Franco Barreto, Tomás de Aquino e Paulino de Sousa. - 1866, no Rio de Janeiro, por Laemmert. - 1867, em Lisboa, por Francisco Xavier de Sousa. - 1868, no Rio de Janeiro, por Laemmert. -1869 e 1870, no Porto, na Imprensa Portuguesa. -1871 e 1875, em Lisboa, por Sousa & Filho e Rolland e Semiond. -1871, no Porto, por Cruz Coutinho. -1873, em Paris, na Veuve J. P. Aillaud, anotada por Paulino de Sousa. - 1873, em Leipzig, por F. Brockhaus. +1873 a 1874, no Porto, na Imprensa Portuguesa - Editora, anotada pelo Sr. Dr. Teófilo Braga. - 1874, em Estrasburgo, por Trubnor, anotada por Reinhardstoettner. - 1874, 1875 e 1877, em Lisboa por António Maria Pereira, anotadas por Inocêncio Francisco da Silva. - 1875, no Porto, na Imprensa Portuguesa, anotada pelo Sr. Dr. Teófilo Braga. - 1878, em Lisboa, na Imprensa Nacional. - 1878-1880, em Lisboa e Paris, por Duarte Joaquim dos Santos e Aristides Abranches, anotada por Pinheiro Chagas. - 1879, em Bruxelas, por Abílio César Borges. - 1880, em Leipzig, por Emílio Biel, do Porto. - 1880, em Lisboa, na oficina de Castro Irmão, pelo Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro, prefaciada e anotada, etc., pelo Sr. Ramalho Ortigão, Adolfo Coelho, e Reinaldo Carlos Montoro. + 1880, no Porto, na Imprensa Portuguesa, pelo Gabinete Português de Leitura de Pernambuco. -1880 em Lisboa, pela empresa do Diário de Notícias, revista pelo Sr. Adolfo Coelho. + 1880, no Porto, na Imprensa Internacional, anotada pelo Sr. Dr. Teófilo Braga. - 1880, em Lisboa, na Imprensa Nacional. + 1880, no Rio de Janeiro, na oficina Lombaerts, pela Comissão Brasileira. -1880, em Lisboa, na Tipografia Horas Românticas. -1881, em Lisboa, por Pereira e Amorim, prefaciada pelo Sr. Dr. Teófilo Braga. - 1881, no Porto, por A. R. da Cruz Coutinho. -1881, em Coimbra, na Imprensa Académica, pela Comissão Académica. - 1882, em Lisboa, pela Nova Livraria Internacional, anotada pelo Sr. Dr. Teófilo Braga. - 1882, em Lisboa, por António Maria Pereira, anotada por Inocêncio Francisco da Silva. - 1883, em Lisboa, edição lito-manuscrita, na Tipografia Elzeviriana. - 1883, em Paris, por Guillard Aillaud, & C.ª, anotada por Paulino de Sousa. -1889, em Lisboa, na Imprensa Nacional, revista por Francisco Gomes de Amorirn. - 1890, em Paris. -1892, em Lisboa, na Imprensa Nacional. -1898, em Lisboa, edição lito-manuscrita, dirigida pelo Sr. Fernandes Costa. - 1900, em Lisboa, dirigida pelo Sr. Sousa Viterbo. - As edições precedidas do sinal + compreendem, além de Os Lusíadas, outras obras de Camões. 

 

De todas as edições acima mencionadas, distinguiremos algumas pela sua importância. A primeira edição data, como se vê, do ano de 1572, em que houve duas, atribuindo-se as alterações da segunda ao próprio poeta, o que é duvidoso. O que é certo é terem sido ambas publicadas em sua vida. Tem por título: Os Lusiadas de Luis de Camões. Com privilegio real. Impressos em Lisboa, com licença da Santa Inquisição, e do Ordinario; em casa de Antonio Gonçalves, impressor, 1572. 

 

O alvará de privilégio é o seguinte: «Eu el-rei faço saber aos que este alvará virem que eu hei por bem e me praz dar licença a Luiz de Camões para que possa fazer imprimir, nesta cidade de Lisboa, uma obra em oitava rima chamada Os Lusiadas, que contém dez cantos perfeitos, na qual por ordem poetica em versos se declaram os principaes feitos dos portuguezes nas partes da India depois que se descobriu a navegação para ellas por mandado de el-rei D. Manuel, meu visavô, que santa gloria haja, e isto com privilegio para que em tempo de dez annos, que se começarão do dia que se a dita obra acabar de imprimir em deante, se não possa imprimir nem vender em meus reinos e senhorios nem trazer a elles de fóra, nem levar ás ditas partes da India para se vender sem licença do dito Luiz de Camões ou da pessoa que para isso seu poder tiver, sob pena de quem o contrario fizer pagar cincoenta cruzados e perder os volumes que imprimir, ou vender, a metade para o dito Luiz de Camões, e a outra metade para quem os accusar. E antes de se a dita obra vender lhe será posto o preço na rneza do despacho dos meus Desembargadores do paço, o qual se declará e porá impresso na primeira folha da dita obra para ser a todos notorio, e antes de se imprimir será vista e examinada na meza do conselho geral do santo officio da lnquisição, para com sua licença se haver de imprimir, e se o dito Luiz de Camões tiver accrescentados mais alguns cantos, tambem se imprimirão havendo para isso licença do santo officio, como acima é dito. E este meu alvará se imprimirá outrosim no principio da dita obra, o qual hei por bem que valha e tenha força e vigor, como se fosse carta feita em meu nome, por mim assignada, e passada por minha Chancellaria, sem embargo da ordenação do segundo livro, titulo XX, que diz que as cousas cujo effeito houver de durar mais que um anno, passem por cartas, e passando por alvarás não valham. Gaspar de Seixas o fiz em Lisboa a 24 dias do mez de setembro de MDLXXI.» (1571). 

 

O parecer que se segue a este alvará, assinado por Frei Bartolomeu Ferreira, não tem data e reza o seguinte: «Vi por mandado da santa e geral Inquisição estes dez cantos dos Lusiadas de Luiz de Camões, dos valorosos feitos em armas que os portuguezes fizeram em Asia, e Europa, e não achei nelles cousa alguma escandalosa, nem contraria á fé e bons costumes, sómente me pareceu que era necessario advertir os leitores que o autor para encarecer a difficuldade da navegação e entrada dos portuguezes na lndia, usa de uma ficção dos deuses dos gentios. E ainda que Santo Agostinho nas suas Retractações se retracte de ter chamado nos livros que compoz de Ordine ás musas deusas. Todavia como isto é poesia, e fingimento, e o autor como poeta não pretenda mais que ornar o estylo poetico, não tivemos por inconveniente ir esta fabula dos deuses na obra, conhecendo-a por tal, e ficando sempre salva a verdade de nossa santa fé, que todos os deuses dos gentios são demonios. E por isso me pareceu o livro digno de se imprimir, e o autor mostra nelle muito engenho, e muita erudição nas sciencias humanas. Em fé do qual assignei aqui. Frei Bartholomeu Ferreira.» 

 

As duas edições de 1572 são raríssimas e distinguem-se, entre outras minudências, pelo frontispício da segunda, que reproduzimos, ter o pelicano voltado para a direita, e o da primeira tê-lo voltado para a esquerda. Além da edição princeps, merecem lugar distinto duas outras feitas no século XIX, que se devem considerar dois monumentos bibliográficos, literários e artísticos erigidos em honra do grande poeta. Uma é a feita a expensas do morgado de Mateus, e por este ilustre cavalheiro e fidalgo distribuída entre os seus amigos e oferecida a personagens, e a corporações literárias e religiosas. A outra é a mandada imprimir por indústria do Sr. Biel, do Porto, em comemoração do tricentenário do poeta, em 1880. A edição do morgado de Mateus tem o título Os Lusiadas, poema epico de Luis de Camões. Nova edição correcta, e dada á luz, por Dom José Maria de Souza Botelho Morgado de Matteus, Socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa, Paris; na officina typographica de Fermin Didot, impressor do Rei e do Instituto, MDCCCXVII. A impressão luxuosa e extraordinariamente nítida é um padrão da perfeição tipográfica usada na casa Didot. Esta edição tem dois retratos de Camões, o primeiro em busto, em frente do rosto, e o segundo, em corpo inteiro, figurando o poeta na gruta de Macau, e mais dez estampas, uma em frente de cada canto, sendo a composição alusiva a passos dos mesmos cantos. Estas estampas são verdadeiras obras de arte, trabalho dos mais distintos gravadores em cobre, e desenho de artistas também consumados. A tiragem desta edição monumental foi de 210 exemplares, e importou em mais de 9.000$000 réis. A edição de Biel, do Porto, tem por título Os Lusiadas de Luiz de Camôes. Edição critica - commemorativa do terceiro centenario da morte do grande poeta. Publicada no Porto por Emilio Biel. Typographia de Giesecke & Devrient, estabelecimento graphico, Leipzig, MDCCCLXXX. As estampas são vinte e duas, onze reproduzidas das da edição do Morgado de Mateus e dez de composição nova, desenhadas a gravadas em Leipzig.