Autor: Jeronymo Cortez
Tradutor: Antonio da Silva de Brito
Publicação: Lisboa, na Officina de Domingos Gonsalves
Edição: 3ª. ed. - 1757
Descr. Física: 16mo. - 15.5x10x2.5 cm
Idioma: Português
Paginação: 1 f.g. + 336 p. + 1 f.g.
Conservação: Muito bom; páginas levemente amareladas; primeiras 3 f. com leve mancha de umidade
Encadernação: Enc. moderna inteira em couro (lombada em bege marmorizado e tapas marrom escuro imitando couro de cobra), lombada gravrada em dourado.
Ilustração: Diversas gravuras dentro de texto e tabelas; duas vinhetas.
Valor: R$2.400,00
Ref. Ext.: Innocêncio 1, 269-270; 8, 305
Palau 63287
Notas: Por baixo do pé de imprensa: "Com todas as licenças necessarias".
Na p. de tít., pequena grav. xilogr.
Na última f.b. anotações manusc. da época.
SOBRE O AUTOR
Jeronymo COrtez nasceu em Valencia em 15? e faleceu muito provavelmente na mesma cidade por volta de 1615, foi um notável escrito, matemático e estudiosa das ciências naturais.
SOBRE A OBRA
A primeira edição em português é de 1703. Na edição de 1757, consta: - "Emendado conforme o Expurgatório da Santa Inquisição e traduzido em Português por Antônio da Silva Brito". Segundo Julio Caro Baroja, a primeira edição em Espanhol saiu em 1594. E em 1494, já existia em Barcelona o “Lunari i Repertori del Temps” de Bernardo Granolach.
Trata-se de uma obra importante e curiosa que resume e explica de modo popular os conhecimentos do mundo na era que antecede o surgimento das ciências modernas.
Trecho da obra p.312:
"Para tirar qualquer bicho que tenha entrado no corpo. Quando o bicho ou cobra entrar no corpo de alguma pessoa, que estiver dormindo, o melhor remédio é tomar o fumo de solas de sapatos velhos, pela boca, por um funil, e o bicho sairá pela parte de baixo : coisa experimentada".
O Lunário Perpétuo foi o livro mais lido nos sertões do nordeste e em boa parte do Brasil durante uns duzentos anos. Ensinava, com a vastidão de um almanaque, desde prognósticos meteorológicos até remédios estupefacientes; informava ainda sobre horóscopos, países da Europa, mitologia, doutrina cristã, conselhos veterinários, nomes de estrelas, biografia de papas, ladainhas fúnebres, rudimentos de física e química e dicas culinárias. Explicava como agir em casos de terremotos, maremotos e demais catástrofes naturais. Era, por assim dizer, uma espécie de google de tempos passados; muito mais divertido, esclarecedor, poético e preciso, diga-se de passagem.
Capistrano de Abreu, o grande historiador do século XIX, dizia não acreditar em padres, feiticeiros, filósofos ou coisa que o valha. Não abria mão, porém, de consultar o Lunário para informar-se sobre os designos dos astros. Câmara Cascudo morreu cego, mas com um exemplar do Lunário Perpétuo, edição de 1918, encima do criado-mudo. Os cantadores de São José do Egito consultam, ainda hoje, velhíssimas edições do livro para versar seus desafios em gestas imemoriais. O Lunário Perpétuo é um dos livros do Brasil.
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