Autor: Torbern Bergman
Tradutor: Martin Francisco Ribeiro de Andrade Machado
Antigo Possuidor: Indecifrável
Publicação: Lisboa, na Officina de Joaõ Procopio Correa da Silva
Edição: 1ª. ed. - 1799
Descr. Física: Tomo I de 2
8vo - 21x15x3.5 cm
Idioma: Português
Paginação: 2 f.g. + lxix + 1 p.n.n. + 351 p. + 2 f.est. desdobr. + 2 f.g.
Conservação: Muito bom; alguns sinais de acidificação/amarelamento; falta f. de anterosto; pequeno corte na centro da p. de tít. suprimindo o "Tomo I"
Encadernação: Enc. do séc. xx 1/4 em couro verde escuro, lombada gravada em dourado.
Ilustração: 2 f. est. desdobr.; uma vinheta e uma tarja.
Valor: R$4.000,00
Ref. Ext.: Inocêncio 6, 153
Blake 6, 245
Borba de Moraes. Bibliogr. Bras. 1, 36
Arco do Cego 91
Notas: Tomo I de 2 somente
Por baixo do pé de imprensa: "Impresso por Ordem de Sua Magestade"
Na p. de tít., peq. grav. xilogr. "escudo das armas reais de Portugal".
Pert. ms. na p. de tít.: indecifrável.
F. est. ass.: "Alarq´s s." "Arco do Cego"
F. est. num. Est 1 e Est 2
Margens largas
SOBRE O AUTOR
Torbern Olof Bergman nasceu em Katrineberg em 20 de março de 1735 e faleceu em Medevi em 8 de julho de 1784, foi um cientista sueco que contribuiu para a física, astronomia, geologia e mineralogia, mas sobretudo para a química.
Estudou na Universidade de Uppsala, doutorando-se em 1758. Ensinou física e matemática antes de se tornar professor de química, profissão que manteve até o fim da sua vida.
Introduziu a nomenclatura binomial dos sais e é autor de uma classificação química dos minerais, baseada na composição química.
A química analítica teve importante avanço com os trabalhadores de Bergman, que separou os metais (cátions) em grupos, dando origem à análise química sistemática. É freqüentemente considerado como o fundador da análise inorgânica quantitativa e um dos fundadores da mineralogia química.
Bergman foi um grande contribuinte para o avanço da análise quantitativa, e desenvolveu um esquema de classificação dos minerais que se baseava nas características químicas e na aparência. Salientam-se as suas pesquisas sobre química dos metais, em especial do bismuto e do níquel. Desenvolveu métodos quantitativos para determinar o cálcio, o chumbo e o ácido sulfúrico. Identificou o manganês, isolou o tungstênio e obteve, por oxidação do açúcar, o ácido oxálico. Estudou a química do alume. Introduziu a idéia de proporções de combinação constantes. Sua Dissertação sobre afinidades electivas contém as maiores tabelas de afinidade química já publicadas. Bergman foi o primeiro químico a utilizar o sistema de notação A, B, C, etc. para espécies químicas. Desenvolveu uma teoria reticular dos cristais.
Bergman também estudou o dióxido de carbono e desenvolveu procedimentos para produzir água mineral artificial mineral: em 1771, quatro anos após Joseph Priestley ter criado a água carbonatada artificial, Bergman inventou um processo para a sua produção a partir de giz, por acção do ácido sulfúrico.
É ainda conhecido pelo seu apoio a Carl Wilhelm Scheele, por muitos considerado "a maior descoberta" de Torbern Bergman.
Embora Bergman tenha morrido de tuberculose antes de completar 50 anos, conseguiu fazer da Uppsala um importante centro de estudos de química na Europa. Seus alunos mais talentosos como Scheele, Gadolin, Hjelm e os irmãos Elhyar prosseguiram seu trabalho. A tradução dos seus trabalhos, originalmente publicados em latim ou em sueco foi iniciada quando o cientista ainda era vivo.
SOBRE O TRADUTOR
Martim Francisco Ribeiro de Andrada nasceu em Santos em 19 de abril de 1775 e faleceu na mesma cidade em 23 de fevereiro de 1844, foi um político brasileiro, presidente da Câmara dos Deputados e ministro da Fazenda do Império do Brasil.
Não foi tão célebre quanto seu irmão José Bonifácio de Andrada e Silva, mas foi figura de importância na política do Brasil. Graduado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra em 27 de julho de 1798.
O conselheiro Martim Francisco (pai), como ficou conhecido, com seu outro irmão Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, dois anos mais velho que ele e também graduado em Filosofia em Coimbra em 18 de junho de 1796, e José Bonifácio, formarão a grande trindade dos Andrada, com enorme importância política nos primeiros anos do Brasil livre.
Foi membro da Assembléia Constituinte em 1823 por São Paulo e pela mesma província deputado de 1836 a 1842, representou Minas Gerais na Câmara dos Deputados na legislatura de 1830 a 1833. Preso e exilado por ocasião da dissolução da Assembléia, asilou-se na França (Bordéus), retornou em 1829. Financista, foi ministro da Fazenda no Primeiro Império no chamado Gabinete dos Andradas (1822) e o primeiro ministro da Fazenda do Segundo Império no "Gabinete da Maioridade" (1840). No ministério executou uma política econômica nacionalista e mostrou-se inimigo de empréstimos externos. Integrava o Conselho do Imperador. Dentre outras, deixou obras escritas sobre mineralogia, entre elas, Diário de uma Viagem Mineralógica pela Província de S. Paulo no Anno de 1805. [1] e uma memória sobre estatística.
Do casamento com sua sobrinha Gabriela Frederica (filha de José Bonifácio de Andrada e Silva), teve três filhos, José Bonifácio, o Moço, escritor e senador do Império do Brasil e ministro da Marinha do Brasil; Martim Francisco Ribeiro de Andrada, também conhecido como Martim Francisco filho ou II, deputado por São Paulo, ministro das Relações Exteriores (1866) e presidente da Câmara dos Deputados durante o Segundo Império (1882) e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, deputado por Minas Gerais à Câmara (1885) e senador estadual Constituinte (1891), falecido em Barbacena em 1893. Deste último descende o ramo mineiro dos Andradas.
SOBRE A OBRA
Raríssima e única edição desta obra sobre mineralogia.
O naturalista Martim Francisco, que fora incumbido de duas traduções: uma na área de mineralogia e outra, agrícola (Tractado Sobre o Canamo 1799). A primeira obra traduzida foi o Manual do mineralógico (que aqui oferecemos).
Em curta apresentação da obra, Martim Francisco sublinhou a importância de sua publicação em língua portuguesa:
- O louvável desejo, que desde o princípio de sua Regência mostrou V.A.R., de ser útil aos seus vassalos, introduzindo-lhes o gosto para as ciências, mormente aquelas, que são de tanta utilidade, como as que se empregam no conhecimento da natureza, a glória, que naturalmente acompanha a grande obra de tirar do letargo uma Nação espirituosa, e como dar-lhe uma nova exigência, moveram a V.A.R., mandar traduzir para linguagem portuguesa muitas, e várias obras, que sobre objetos úteis nos faltavam, e como entre elas ocupe um não desprezível lugar o conhecimento das produções mortas da natureza, dignou-se V.A.R. mandar, se traduzisse o Manual do Mineralógico do célebre sueco Bergman, tarefa esta, de que com muita satisfação me encarreguei (Bergman, 1799, p.2)
Bergman afirma que o método de classificar os minerais deve ser "fundado na análise, como demonstrou Cronsted, e [que] somente nos jactaremos de possuir um verdadeiro sistema mineralógico, quando for bem feita a análise de todos os minerais" (Bergman, 1799, p.212).
Seu sistema de classificação dos minerais divide-os nas seguintes classes: Ares; Águas; Enxofre e Fósforo; Substâncias Metálicas; Ácidos; Álcalis; Terras; Sais Neutros; e Fósseis. A nomenclatura proposta pelo cientista para classificação dos minerais baseia-se em sua composição interna e não na forma externa. Para ele, os minerais devem ser classificados por suas partes constituintes ou componentes, as quais somente podem ser determinadas por análises químicas: "sistemas fundados sobre a análise química ensinam alguma coisa mais, isto é, a composição íntima da substância" (Bergman, 1799, p.58).
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