Autor: Duarte Madeyra Arraez / Francisco da Fonseca Henriques
Antigo Possuidor: J. G. M.
Publicação: Lisboa, na Officina de Antonio Pedrozo Galram
Edição: 4ª. ed. - 1715
Descr. Física: Fol. - 30x20x3.5 cm
Idioma: Português
Paginação: 1 f.g. + 32 p.n.n. + 366 p.
Conservação: Muito bom; alguns sinais de acidificação/amarelamento; alguns mpinimos picos de insetos nas bordas, sem afetar o texto.
Encadernação: Enc. da época inteira em couro marrom escuro, lombada gravada em dourado.
Ilustração: Algumas vinhetas, tarjas e capitulares.
Valor: R$1.800,00
Ref. Ext.: Innocencio 2, 209 - 378
Catálogo da Coleção Portuguesa 1, 31
National Library of Medicine, século XVIII STC p. 282
Wellcome III, 248
Ferreira de Matos em História da medicina portuguesa, 161 e 235
Notas: P. de tít. impresso em preto e vermelho
Por baixo do pé de imprensa: "Com todas as licenças necessarias, & Privilegio Real"
Na p. de tít., peq. grav. xilogr. "folhagem com cobra ao centro".
Ex libris "J-G M"
SOBRE OS AUTORES
Duarte Madeyra Arraes, natural de Moimenta da Serra, na Beira onde nasceu em cerca de 1600, cristão-novo, médico e Físico-mor de D. João IV, assim como o seu apelido, ligado aos Madeiras Arrais, de seu Avô. Faleceu em Lisboa aos 9 dias de julho de 1652.
Francisco da Fonseca Henriques, nasceu em Mirandela, em 6 de outubro de 1665 e faleceu em Lisboa, em 17 de abril de 1731. Formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra e foi médico de el rei D. João V Foi autor de vários tratados científicos que o Abade de Baçal menciona no Tomo VII das suas Memórias, p.p. 239/241. Enalteceu-o também Francisco da Fonseca Henriques, médico de D. João V falando das águas de caldas, fontes, rios, poços, lagoas e cisternas do reino de Portugal dignos de particular memória em 1726: "o barro he de tal natureza que do muy fino, não só se fazem púcaros e quartos de boa forma, mas também figuras e brincos que servem de adorno e compostura de casas, no que se tem aprovado muyto o primor dos Artifícios, com utilidade sua".
Segundo Alfredo Menéres, o Dr. Mirandela era filho de Gabriel Pereira e de Gracia Mendes. O seu pai era natural de Bragança e viera para Alvites, a 10 kms a norte de Carvalhais, dedicar-se ao cultivo das terras. Ali se ligou a Gracia Mendes, dama da mesma seita e possuidora de avultados cabedais. Com este farto pecúlio estabelecera residência efectiva em Carvalhais, nas 1ªs décadas do século XVII, adquirindo largos tratos de terras, tornando-se, em breve, importante lavrador regional.
Era irmão de António Pereira da Fonseca Henriques, bacharel em Direito, e de Manuel Pereira da Fonseca Henriques, licenciado.
Fonseca Henriques obteve aos 23 anos incompletos (6 de Outubro de 1665 a 5 de Junho de 1688) a licenciatura em Medicina, sendo seus leccionadores Manoel Castanho e Sebastião da Costa. No dia 5 de Junho de 1688 houve o cerimonial do seu doutoramento, tendo recebido do Dr. António Mendes, lente da cadeira de prima, o diploma.
Começou a exercer em Chaves, onde também exercia esse mister o Dr. José Borges Pinto. Terminado o tirocínio, regressa a Carvalhais e estabelece consultório em Mirandela em 1695.
Na altura o seu tio Fonseca Henriques era o feitor dos Távoras, o seu irmão António Juiz-ouvidor ou corregedor em Mirandela e o seu irmão Manoel vinha exercendo a procuradoria dos ilustres fidalgos desde 1689. Como tal, não foi difícil estabelecer-se em Lisboa. Os Távoras foram incansáveis em recomendá-lo às famílias mais requintadas na hierarquia social.
Em breve subia ao trono D. João V (1706) e o Dr. Mirandela era nomeado seu médico. Passava a ser o grande clínico e a sua reputação generalizou-se. Foi seu rival e contemporâneo o Médico João Curvo Semedo.
Deu depois entrada na Real Academia de Ciências.
O boticário d´el rei, João Gomes da Silveira, gozava da preferência do Dr. Mirandela no aviamento das suas receitas.
Entre uma obra vasta, escreveu sobre as águas da Fonte de Golfeiras, povoação fronteiriça à altaneira vila de Mirandela.
Faleceu no dia 17 de Abril de 1731, num sábado, de lesão cardíaca.
SOBRE A OBRA
Esta é uma edição substancialmente revisada do clássico trabalho de Duarte Madeira Arrais sobre a sífilis, impresso pela primeira vez em Lisboa, 1642, com edições de 1674 e 1683. Fonseca Henriques atualizou e mudou muito do conteúdo do trabalho anterior, acrescentando muitas observações e anotações.
Embora reconhecendo as contribuições de Madeira Arrais para o estudo da doença, especialmente a sua classificação de suas fases, Fonseca Henriques defendeu o uso de mercúrio em circunstâncias que Madeira Arrais havia declarado perigoso. Fonseca Henriques conclui o trabalho com uma dissertação de seus próprios humores corporais.
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