Illustração Critica A Huma Carta

 

 Candido Lusitano

 

 1751



Especificação

Autor: Candido Lusitano


Publicação: Lisboa, Na Officina de Miguel Rodrigues

 

Edição: 1ª. ed. - 1751


Descr. Física: 8vo - 20x14 cm


Idioma: Português


Paginação: 8 p.n.n. + 80 p.


Conservação: Muito bom; folhas moderadamente acidificadas e amareladas


Encadernação: Enc. do séc. XIX inteira em cartonado mole


Valor: R$320,00


Ref. Ext.: Innocencio 2, 406


Notas: Por baixo do pé de imprensa "Com Todas as Licenças Necessarias"

 

 

SOBRE O AUTOR

 

                            Francisco José Freire (Lisboa, 1719 — Mafra, 1773), mais conhecido pelo pseudónimo de Cândido Lusitano, foi um frade oratoriano que inspirou o movimento estético-literário da Arcádia Lusitana. A sua obra Arte Poética (publicada em 1748) marcou em Portugal a afirmação da estética neoclássica que ficaria conhecida na literatura portuguesa pelo nome de arcadismo.

 

A Arte Poética de Cândido Lusitano acabou por se constituir como o verdadeiro código estético dos árcades, o que o tornou numa das figuras mais influentes na introdução na literatura portuguesa das ideias estéticas e da poética e retórica neoclássicas.

 

Com fortes ligações ao humanismo da fase inicial do Renascimento europeu, Cândido Lusitano era um defensor acérrimo dos cânones literários e estéticos da Antiguidade Clássica, tomando como modelos Aristóteles, Cícero, Horácio e Quintiliano. Em consequência, a sua obra centra-se na divulgação do pensamento estético-literário dos clássicos, através a sua tradução para a língua portuguesa, e na defesa de uma concepção da poesia como imitação da natureza, na esteira da Poética de Aristóteles.

 

Na mesma senda, Cândido Lusitano, seguindo intelectuais como Ludovico Antonio Muratori e Ignacio de Luzán, explora as relações entre a fantasia e o entendimento na elaboração da obra poética, defendendo a visão aristotélica de uma arte em que estejam presentes o verosímil e uma relação equilibrada entre o útil e o deleitável e entre a natureza e o exercício.

 

Manteve uma acesa polémica contra o pensamento de Luís António Verney expresso no Verdadeiro Método de Estudar, defendendo que é na proporção, na ordem e na unidade é que consiste a beleza poética e que a fantasia e a imaginação eram a alma da poesia, embora devessem ser refreadas através da adopção de cânones que regulassem a relação entre a arte e o juízo. Neste contexto, e alinhando com as ideias de Nicolas Boileau, defendia o predomínio da lógica sobre a estética, afirmando que os antigos chamavam-lhe Juízo e isto é que é propriamente o bom gosto. É proceder com juízo e discernimento nas obras que compomos e não menos nas que lemos. Estas ideias assentam nos princípios da estética e filosofia platónica e augustiniana.

 

Seguindo o pensamento de Ludovico Antonio Muratori e os preceitos do neoclassicismo, Francisco José Freire introduziu na literatura de língua portuguesa a primeira definição canónica de bom gosto, negando a legitimidade da liberdade criativa do barroco defendida, entre outros, pelo filósofo Benito Jerónimo Feijo.

 

 

SOBRE A OBRA

 

                            Primeira e única edição.