Historia de Portugal

Restaurado

 

 Luiz de Menezes, Conde de Ericeira

 

 1698-1710



Especificação

Autor: Luiz de Menezes, Conde de Ericeira


Gravador: Fred´ Bouttats


Publicação: TI  Lisboa, na Officina de Antonio Pedrozo Galraõ

                    TII Lisboa, na Officina de Miguel Deslandes, Impressor de S. Magestade

 

Edição: TI 2ª. ed. - 1710

             TII 1ª. ed. - 1698


Descr. Física: Tomos I e II de 2

                       2 t. em e vols.  

                       Fol. - 32x22 cm


Idioma: Português


Paginação: TI 1 f.g. + 12 p.n.n. + 908 p. + 31 p.n.n.ind. + 1 f.g. + 2 f. est.

                   TII 1 f.g. + 16 p.n.n. + 975 p. + 1 f.g.


Conservação: Bom; Algumas páginas restauradas; diversos picos de insetos, sendo que em algumas partes afetando o texto; Falta a folha de rosto do t. II.


Encadernação: Enc. moderna em perc. vemelho, lombada gravada em dourado.


Ilustração: Portrait do autor; frontispício; diversas vinhetas, tarjas e capitulares.


Valor: R$4.000,00


Ref. Ext.: Barbosa Machado 3, 117-118

                Inocêncio 5, 307; 16, 49

                Pinto de Matos 440

                Fonseca, M. Restauração 92

                BN Lisboa. Restauração 1, 859

                Carvalho, M., Dicionário 2, 531

                Cunha, X. Impr. deslandesianas 387

                Marinha. Impr. séc. XVII 267

                Soares, E. Hist. grav. (ed. 1971) 1, 391

                Soares, E., Dic. icon. 2, 421

                Palha 3, 2950

                Sabugosa 186

                Monteverde 3536

                Samodães 2085

                Ameal 1524

                Rodrigues 1, 1642 não refere o Tomo I da primeira edição

                Borba de Moraes. Bibliogr. Bras. 2, 566

                Arouca M 301


Notas: P. de tít. impressa em preto e vermelho

            Por baixo do pé de imprensa: "Com todas as licenças necessarias"

            Na p. de tít., média grav. xilogr. escudo das armas reais.

            No Tomo I, as duas f. grav. calc. contêm: front. grav. calc. com figuras alegóricas "Justitia" e

            "Libertas" segurando escudo com a as armas reais de Portugal; retrato de D. Luís de Meneses,

            assin. "Fred. Bouttats sculpsit"

            Tarjas xilogr.

            Vinhetas xilogr. com anjo tocando instrumento musical e segurando escudo com as armas reais

            de Portugal.

            Na últ. p. do Tomo I, vinheta xilogr. com a marca do impressor João Galrão

 

OBS.: Na segunda edição não foi impresso o tomo II, somente o I. Houveram reimpressões em 4 vols. em 1751 e depois em 1759.

            

 

SOBRE O AUTOR

 

                            Luís de Meneses, 3º conde da Ericeira, nasceu em Lisboa, 22 de Julho de 1632 e faleceu em 26 de Maio de 1690, foi um nobre, militar, político e historiador português.

 

Comendador das comendas de São Cipriano de Angueira, São Martinho de Frazão e de São Bartolomeu da Covilhã, todas da Ordem de Cristo, foi general de Artilharia durante a Guerra da Restauração e, posteriormente, no Conselho de Estado, foi Vedor da Fazenda sob o reinado de Pedro II de Portugal, cujo partido seguiu nas discórdias e intrigas palacianas que conduziram à deposição de Afonso VI de Portugal. Distinguiu-se por diversas reformas úteis ao país, considerando-se que a ele se deve o impulso inicial das manufacturas portuguesas. Por essa razão é considerado por alguns autores como o "Colbert" português.

 

Era filho de D. Henrique de Meneses, 5º senhor do Louriçal, e de D. Margarida de Lima, filha dos 4º condes de Atouguia, João Gonçalves de Ataíde, e D. Maria de Castro. Irmão do 2.º conde da Ericeira, criou-se no paço desde os primeiros anos.

 

Com o advento da Restauração da Independência (1640), então com oito anos de idade, entrou ao serviço do Príncipe D. Teodósio de Bragança, o filho mais velho de D. João IV de Portugal.

 

Em 1650, tendo decidido acompanhar o vice-rei do Estado Português da Índia, D. João da Silva Telo e Menezes, conde de Aveiras, que ia partir para o Oriente, foi persuadido a mudar de ideia por D. João da Costa, futuro conde de Soure, nomeado naquele ano como Governador das Armas da Província do Alentejo, a quem acompanhou. Serviu naquela região até ao fim da guerra, tendo atingido o posto de general da Artilharia. Combateu na batalha de São Miguel (1658), na batalha das Linhas de Elvas (1659), na batalha do Ameixial (1663) e na batalha de Montes Claros(1665), entre outras. Como recompensa por ter derrotado as tropas espanholas na passagem do rio Degebe, recebeu, entre outras mercês, o senhorio da vila de Ancião, onde se levantou, por ordem do soberano, um padrão, em que se colocou inscrição latina.

 

Com o advento da paz, foi nomeado Governador das Armas da Província de Trás-os-Montes (1673).

 

Apoiara claramente Pedro II de Portugal e a aristocracia na crise que culminou na abdicação de Afonso VI de Portugal (1667).

 

Em 1675 regressou a Lisboa, vindo a ser escolhido para deputado da Junta dos Três Estados, o Conselho Régio que administrava o Exército. Na mesma altura, foi também nomeado Vedor da Fazenda da repartição dos Armazéns e Armadas. Nesses postos, apoiou as ideias mercantilistas que Jean-Baptiste Colbert, ministro de Luís XIV de França, havia implementado em seu país, e introduzidas em Portugal por Duarte Ribeiro de Macedo, nas quais se inscrevem as medidas legislativas anti-sumptuárias e de obrigação de utilização de panos nacionais, como foi o caso da pragmática de 1677, que proibiu o uso de panos, chapéus, cintos, boldriés e talins estrangeiros.

 

Após a Restauração, a balança comercial portuguesa a todos preocupava, e a agravá-la, estava a crise no preço do açúcar do Brasil, que após a expulsão dos neerlandeses (1654), passara a sofrer forte concorrência do de Barbados e do de outras colónias francesas e inglesas, oferecidos a preços mais em conta. Em 1668 a arroba valia, na praça de Lisboa, 2.400 réis, em 1675, na mesma praça, apenas 1.000 réis. O argumento principal dos críticos da política económica portuguesa era não tanto a falta de artigos nacionais para compensação interna de consumo, mas os compromissos assumidos pelos tratados então em vigor, e pela possibilidade da recusa que os países estrangeiros fariam aos produtos de exportação portugueses.

 

Neste contexto, o conde de Ericeira tomou medidas importantes desde 1680, correspondendo-se com Luís de Vasconcelos e Sousa, 2° conde de Castelo Melhor, na Inglaterra, para promover o estabelecimento de fábricas de panos no Reino de Portugal. Para este fim fez vir mestres e oficiais daquele país, a título de criados da Rainha da Grã-Bretanha, D. Catarina de Bragança, que então se recolhia ao Reino. Essas medidas visavam tornar Portugal o mais que possível independente da produção estrangeira: à primitiva organização doméstica e artesanal opunha-se um sistema manufactureiro ainda que limitado, com legislação semi-proteccionista, reorganizando as indústrias existentes e implantando novas, de panos (sarjas, baetas e sedas), chapéus, cintos e vidros. Em 1686 renovou a proibição da importação de lanifícios e outros, dando um prazo de dois anos. Apesar disso, nunca os lanifícios ingleses deixaram de circular, mesmo ilegalmente. Mas foi avesso a proteccionismo absoluto e a excessos burocráticos. Na reforma da moeda, adoptou o processo de serrilha, para evitar o cerceio. Além dos estabelecimentos fabris nacionais, tentou aperfeiçoar a navegação e comércio com os territórios ultramarinos para facilitar o afluxo de matérias-primas e a colocação dos produtos manufacturados; adopção de medidas proteccionistas, afastando a concorrência de outros países no mercado nacional.

 

Com os mestres e oficiais estrangeiros, estabeleceu teares de tecer panos nas vilas do Fundão, Covilhã, Redondo e Portalegre, que protegeu, resultando em que dez anos depois, estavam fabricando excelentes panos. Os ingleses faziam as diligências para arruinar as fábricas, mas Ericeira as amparava e defendia, conseguindo do soberano a Pragmática de 1687, que lhe ditou, em que proibiu expressamente panos estrangeiros, negando-lhes o despacho nas alfândegas. Nos quatro anos em que as favoreceu a Pragmática, já supriam tais fabricas os panos para o reino e as Conquistas, vestiam as tropas do Exército e da Marinha e iam alguns para fora do Reino, principalmente muitos cortes de vestidos.

 

Apoiou também a produção de seda, com a plantação de amoreiras e o incentivo à criação de bichos-da-seda em terrenos baldios e em hortas. Em 1678 fez vir, da Itália, numerosos artesãos de sedas. A indústria de curtumes interessava-o, pela abundância dessa matéria-prima no Brasil, e proibiu a importação dos couros ingleses.

 

Vítima de depressão (descrita à época como ataques de melancolia), cometeu suicídio precipitando-se de uma janela do seu palácio em Lisboa, tendo morte quase que imediata. Os seus restos jazem na Capela-mor do Convento de Nossa Senhora da Graça, naquela cidade, no jazigo de seus ascendentes.

 

Desposou, em 1 de Maio de 1666 no Convento de Santa Clara, a sua sobrinha, D. Joana Josefa de Menezes (Lisboa, 13 de setembro de 1651 - 26 de agosto de 1707, filha e herdeira de seu irmão, o 2º conde da Ericeira, D. Fernando de Menezes, e de D. Leonor Filipa de Noronha, dama da rainha D. Luísa de Gusmão. Dela se afirmou que: "Em discrição, piedade e formosura teve o primeiro lugar entre as senhoras de seu tempo e também nas estimações e favores da Rainha D. Maria de Sabóia e da Rainha da Grã-Bretanha, D. Catarina, de quem foi camarista." Senhora de grande erudição e poeta afamada, falava os idiomas espanhol, francês e italiano perfeitamente e tinha bons conhecimentos de latim. Imprimiu, em seu nome, um poema de trezentas oitavas no idioma castelhano: "Despertador del alma al sueño de la vida". Escreveu ainda seis loas, seis bailes, sonetos e romances no mesmo idioma. Tendo vindo a falecer aos cinquenta e seis anos de idade, jaz na capela-mor do Mosteiro da Anunciada em Lisboa.

 

 

SOBRE A OBRA

 

                             O livro mais importante sobre a restauração de Portugal em 1640 é sem dúvida a “Historia de Portugal Restaurado” escrita por Luis de Menezes. A História de Portugal Restaurado ocupa, inegavelmente, lugar de relevo entre as obras históricas anteriores a renovação da historiografia empreendida pela benemérita Academia Real da História Portuguesa e, depois, continuada pela Academia Real das Ciências entre os fins do século XVIII e a primeira metade do século seguinte.

 

O Conde da Ericeira deixou-nos na sua obra monumental um modelo exato de história narrativa, ordenado nas suas partes, com seqüencia lógica e precisa, e ainda hoje fonte segura dessa. Época tumultuosa da nossa vida política. Traz a obra importante descrição, quando da invasão dos holandeses, descrição da Bahia, Pernambuco, Maranhão, etc.

 

O Conde da Ericeira tinha razão. A sua História de Portugal Restaurado mereceu a seguinte referência contemporânea, no Journal des Sçavans e no seu numero de 13 de Janeiro de 1681: ,,Tout est grand dans cette histoire, le sujet, la manière de l’écrire et l’auteur même” 37 Ainda hoje em dia continua a ser um depoimento histórico importantíssimo e da maior relevância para o estudo da conjuntura político-militar portuguesa dos anos de 1640 a 1668.