Elementos

de

Arithmetica

 

 Étienne Bézout

 

 1795



Especificação

Autor: Étienne Bézout


Antigo Possuidor: ?


Publicação: Coimbra, na Real Imprensa da Universidade

 

Edição: 5ª. ed. - 1795


Descr. Física: 16mo. - 17x11x2.3 cm


Idioma: Português


Paginação: 2 f.b. + viii + 264 + 1 f.b.


Conservação: Ótimo.


Encadernação: Enc. da época inteira em couro marrom mosqueado, lombada gravrada em dourado.


Ilustração: Diversas tabelas e cálculos; algumas tarjas.


Valor: R$1.800,00


Ref. Ext.: Innocencio 5, 75-77


Notas: Anterosto

           Por baixo do pé de imprensa: "Por ordem de Sua Magestade"

            Na p. de tít., pequena tarja xilogr.

            Pert. ms., na f. de rosto na parte inferior indecifrável.

 

 

SOBRE O TRADUTOR

 

                            José Monteiro da Rocha nasceu em Canavezes, vila situada na margem direita do Tamega , em 25 de junho de 1734. Matemático e astrónomo, foi para o Brasil muito novo, e foi educado presumivelmente por jesuítas numa instituição da Baía. Tornou-se jesuíta em 1752, mas com a expulsão dos jesuítas de Portugal em 1759 abandonou a ordem religiosa e foi ordenado padre secular na Baía, em 1760. Regressou a Portugal para frequentar a Universidade de Coimbra entre 1766 e 1770, onde se formou em Cânones. E virtude do seu interesse pelas ciências, foi recomendado pelo reitor D. Francisco de Lemos (1735-1822) ao Marquês de Pombal como pessoa competente para organizar a nova Faculdade de Matemática criada com a Reforma de 1772. Colaborou na redacção dos estatutos da Universidade reformada, na parte respeitante às Ciências Naturais e à Matemática. A 10 de Outubro de 1772 fez a lição de abertura da Faculdade de Matemática. Na véspera, Miguel Franzini (?-1810), Miguel Ciera (?-?) e Monteiro da Rocha haviam recebido o grau de Doutor e sido incorporados na Faculdade de Matemática.

 

Monteiro da Rocha ficou encarregado das cadeiras de Ciências Físico-Matemáticas, nomeadamente de Mecânica e Hidrodinâmica. Em 1783 passou a reger a cadeira de Astronomia e em 1795 foi nomeado director do Observatório Astronómico. A construção do edifício do Observatório previsto nos estatutos passou por algumas vicissitudes, tendo ficado pronto em 1799. A partir desta data, Monteiro da Rocha encarregou-se de o equipar com instrumentos vindos do Colégio dos Nobres de Lisboa e com alguns encomendados a João Jacinto de Magalhães em Londres.

 

Por volta de 1804 Monteiro da Rocha tornou-se membro da Sociedade Real da Marinha e vice-presidente da Junta da Direcção Geral de Estudos. Foi agraciado como membro da Ordem de Cristo e tornou-se Conselheiro do Príncipe Regente D. João (1767-1826), futuro D. João VI. Em 1804 deixou Coimbra e fixou-se em Lisboa, onde passou a frequentar a corte, como tutor do filho de D. João até à saída da corte para o Brasil em virtude das invasões francesas. Veio da falecer em S. José de Ribamar, Carnaxide, Lisboa, em 1819.

 

Publicou alguns textos sobre Matemática e Astronomia: "Solução geral do Problema de Kepler sobre a medição das Pipas e Toneis", Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa, 1780-1788, 1-36; "Aditamento à regra de M. Fontaine para resolver por aproximação os problemas que se resolvem por quadraturas", Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa, 1780-1788, 218-243; "Determinação das Órbitas dos Cometas", Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa, 1799, 402-479; Explicação da Taboada Náutica para o Cálculo das Longitudes, Lisboa, 1801. Mémoires sur l'Astronomie Pratique, Paris, 1808. Publicou ainda alguns artigos no periódico Ephemerides Astronómicas, 1803-1807.

 

Monteiro ganhou alguma notoriedade como astrónomo com a sua "Memória sobre a determinação das órbitas dos cometas", apresentada à Academia Real das Ciências de Lisboa em 27 de Janeiro de 1782. Uma vez que a publicação desta memória só foi feita em 1799, a sua importância foi prejudicada pelo facto de em 1787 o astrónomo alemão H. Olbers (1758-1840) ter proposto a resolução do mesmo problema com um método semelhante ao de Monteiro. Newton já tinha resolvido este problema através de um método gráfico considerado pouco prático.

 

Em 1782 Monteiro da Rocha concorreu a um prémio proposto pela Academia de Lisboa, competindo com Anastácio da Cunhae ganhando o prémio. Em 1785 concorreu de novo e ganhou um prémio com um trabalho que, segundo Anastácio da Cunha, era a cópia de um outro trabalho que Cunha tinha entregue à Academia em 1780. Esta situação veio a provocar atritos entre estes dois matemáticos, tendo Cunha acusado Monteiro de plágio. A questão da existência de um conflito aberto entre os dois matemáticos, que viria já de tempos anteriores, quando Cunha ainda era lente da Universidade de Coimbra, não está ainda hoje totalmente esclarecida.

 

Embora por força dos estatutos da Universidade devesse escrever manuais em língua portuguesa, nunca chegou a fazer nenhum, tendo traduzido manuais estrangeiros de autores franceses como Bezout Cours de Mathématiques,Traité d'Hydrodinamique e Marie's Traité de Mécanique, cujas obras serviam como manuais para o curso de Matemática.

     

 

SOBRE O AUTOR

 

                            Étienne Bézout nasceu em 31 de março de 1730 e faleceu em 27 de setembro de 1783, foi matemático francês que nasceu em Nemours, Seine-et-Marne, França, e faleceu em Baixos-Loges (perto de Fontainebleau), França. Em 1758 foi eleito mestre em mecânica na Academia de Ciências Francesa. Para além de numerosas pequenas obras, escreveu a Théorie Générale des équations algébriques, publicado em Paris em 1779, que continha, em particular nova e valiosa matéria sobre a teoria da eliminação simétrica e funções das raízes de uma equação.

 


SOBRE A OBRA

 

                            É possível encontrar no acervo da BNF - Bibliothèque National de France, em Paris, várias edições em português da Aritmética de Bézout, seus Elementos de Arithmetica. A primeira destas edições tem a data 1836. Como referência complementar da obra, na BNF tem-se: Elementos de Arithmetica.... 1ª. Edição de Pariz... – Pariz, 1836. In-18 (Edition ne portant pas le nom du traducteur). A obra, como diz a referência não menciona o tradutor, no entanto, é possível ler já na sua capa os seguintes dizeres:

 

Primeira Edição de Pariz – a qual repete fielmente a última edição da typografiada Universidade de Coimbra, enriquecendo-a de novas ilustrações sobe as quatrooperações fundamentaes e regra de três, e de um importantíssimo Appendix, noqual todas as operações de commercio e de banco são tratadas em toda a sua extensão com independência de conhecimentos superiores aos dAritmetica vulgar; e he seguida de grande numero de Taboas, que simplificão os cálculosmais difíceis, compehendidas também as dos pesos e medidas de Portugal e do Brazil, do sistema métrico de França, das moedas, peso e medidas das principaes nações, com os seus valores equivalentes portugueses, etc., etc...

 

Essas informações remetem à origem das traduções do autor francês para o português. Sabe-se que é por ordem do Marquês de Pombal que as obras de Étienne Bézout ganharam tradução. Mais precisamente, a Universidade de Coimbra responsabiliza-se pela tradução, vindo à luz no ano de 1773, os Elementos de Aritmética de Bézout. O livro é traduzido por Monteiro da Rocha, e esta tradução foi reimpressa diversas vezes, sendo a última em 1826, pela Universidade de Coimbra. (Valente, 1999).

 

Assim, a Aritmética de Bézout, impressa em 1836, constitui a primeira de uma nova série de reimpressões do texto originalmente traduzido por ordem da figura mais importante do reinado de D. José I3. Essa nova série de reimpressões está referenciada nos vários catálogos da editora Aillaud, que seencontram na BNF, relativos aos anos de 1836, 1844, 1847, 1849, 1851, 1854,1856, 1858, 1860, 1863, 1866 e 1874. As reimpressões do texto de Bézout, a partir da editada em 1836, trazem o nome de José da Silva Tavares como responsável pela readaptação dos Elementos de Arithmetica às necessidades comerciais.

 

Tavares inclui um apêndice com o seguinte título: “Appendice – Applicação das Regras dArithmetica às operações de commercio e de banco, etc”. Nele estão presentes ensinamentos sobre o cálculo de juros, de câmbio, de seguro, de conversão de pesos e medidas, moedas, um “modelo de uma conta corrente feita segundo o methodo mais moderno, sem dependencia de números vermelhos”, uma tabela de câmbios entre o Brasil e a Inglaterra, dentre vários outros itens para uso do comércio.

 

A existência de seguidas reimpressões da Aritmética de Bézout, com o apêndice de Tavares, reforça a idéia de que os primeiros textos matemáticos destinados ao comércio no Brasil, reutilizaram o manual de Étienne Bézout, clássica obra que circulou pela Europa e Estados Unidos desde o século XVIII. A exposição do conteúdo aritmético manteve-se, seguindo o trabalho do autor francês. Autilização prática-comercial da aritmética ficou referenciada pelo acréscimo feito por José Tavares.