Autor: João de Barros; Diogo de Couto
Publicação: Lisboa, na Regia Officina Typografica
Edição: 3ª. ed. - 1778-1788
Descr. Física: Tomos I, II, V, VI, VII, VIII, X, XI, XX, XXI, XXII, XXIII de 24
12 t. em 6 vols.
16mo. - 17x11 cm
Idioma: Português
Paginação: TI 2 f.g. + 38 p.n.n. + 478 p.
TII 1 f.g. + 11 p.n.n. + 1 p.b. + 447 p. + 1 p.b. + 2 f.g.
TV 3 f.g. + 36 p.n.n. + 663 p. + 1 p.b.
TVI 15 p.n.n. + 1 p.b. + 525 p. + 1 p.b. + 2 f.g.
TVII 3 f.g. + 55 p.n.n. + 1 p.b. + 637 p. + 3 p.b.
TVIII 17 p.n.n. + 1 p.b. + 751 p. + 1 p.b. + 3 f.g.
TX 3 f.g. + xxxviii (i.e. xxxvi) + 10 p.n.n. + 391 p. + 1 p.b.
TXI 14 p.n.n. + 461 p. + 1 p.b. + 3 f.g.
TXX 3 f.g. + xvii (i.e. xv) + 1 p.b. + 543 p. + 1 p.b.
TXXI 2 p.n.n. + xvii + 1 p.b. + 685 p. + 1 p.b. + 3 f.g.
TXXII 3 f.g. + 4 p.n.n. + vii + 1 p.b. + 189 p. + 1 f.b.
TXXIII 14 p.n.n. + 516 p. + 3 f.g.
Conservação: Bom; com picos de inseto que raramente afetam o texto; alguns sublinhados à lapis; enc. necessita algum restauro; faltam os mapas e retratos.
Encadernação: Enc. do séc. XIX 1/4 em couro marrom escuro marmorizado
Ilustração: Algumas vinhetas, tarjas e iniciais.
Valor: R$4.000,00
Ref. Ext.: Cordier, 2309
Sabin, 3648
Barbosa Machado 1, 648
Inocêncio 2, 153-154
Figanière 908
Palha 4, 4150
Samodães 1, 335
Ameal 235
Pinto de Matos 226
Colégio S. Pedro 1, 954
Arouca C 713
Notas: Tomos I, II, V, VI, VII, VIII, X, XI, XX, XXI, XXII, XXIII somente, de 24
Por baixo do pé de imprensa: "Com licença da Real Meza Censoria, e Privilegio Real"
Na p. de tít., pequena grav. xilogr. escudo das armas reais.
SOBRE OS AUTORES
João de Barros, chamado o Tito Lívio Português nasceu em 1496c. — Ribeira de Alitém e faleceu em 20 de Outubro de 1570, é geralmente considerado o primeiro grande historiador português e pioneiro da gramática do idioma luso.
Filho de um nobre, foi educado na corte de Dom Manuel I, no período de maior apogeu dos descobrimentos portugueses, tendo ainda na sua juventude concebido a idéia de escrever uma história dos portugueses no oriente. Sua prolífica carreira literária iniciou-se com pouco mais de vinte anos, ao escrever um romance de cavalaria, a Crónica do Emperador Clarimundo, donde os Reys de Portugal descendem, dedicado ao soberano e ao príncipe herdeiro Dom João.
Este último, ao subir ao trono como Dom João III em 1521, concedeu a João de Barros o cargo de capitão da fortaleza de São Jorge da Mina, para onde partiu no ano seguinte. Em 1525 foi nomeado tesoureiro da Casa da Índia, missão que desempenhou até 1528.
A peste negra de 1530 levou-o a refugiar-se na sua quinta da Ribeira de Alitém, próximo de Pombal, vila onde concluiu o seu diálogo moral, Rhopicapneuma, alegoria que mereceu louvores do catalão Juan Luis Vives.
Regressado a Lisboa em 1532, o rei designou-o como feitor das casas da Índia e da Mina - uma posição de grande destaque e responsabilidade, numa Lisboa que era então um empório, a nível europeu, para todo o comércio estabelecido com o oriente. João de Barros provou ser um administrador bom e desinteressado, algo raro para a época, como demonstra o surpreendente facto de ter amealhado pouco dinheiro com este cargo (quando os seus antecessores haviam adquirido grandes fortunas).
Em 1534 Dom João III, procurando atrair colonos para se estabelecerem no Brasil, evitando assim as tentativas de penetração francesa, dividiu a colónia em capitanias hereditárias, seguindo um sistema que já havia sido utilizado nas ilhas atlânticas dos Açores, Madeira e Cabo Verde, com resultados comprovados. No ano seguinte João de Barros foi agraciado com a posse de duas capitanias, em parceria com Aires da Cunha, o Ceará e o Pará. Constituiu a expensas suas uma armada de dez navios e novecentos homens, que zarpou para o Novo Mundo em 1539.
Devido talvez à ignorância dos seus pilotos, a frota não atingiu o objectivo pretendido, tendo andado à deriva até aportar às Antilhas espanholas. Demonstrando um grande humanismo, talvez incomum para a época, pagou as dívidas dos que haviam falecido na expedição. No entanto isto resultou em grandes problemas financeiros a João de Barros, com os quais teve que lidar até ao fim da vida, vendo-se mesmo obrigado a hipotecar parte dos seus bens.
Durante estes anos prosseguiu seus estudos durantes as horas vagas, e pouco após a desastrosa expedição ao Brasil publicou a Gramática da Língua Portuguesa e diversos diálogos morais a acompanhá-la, para ajudar ao ensino da língua materna. Pouco depois (seguindo uma proposta que lhe havia sido ainda endereçada por Dom Manuel I), iniciou a escrita de uma história que narrasse os feitos dos portugueses na Índia - as Décadas da Ásia (Ásia de Ioam de Barros, dos feitos que os Portuguezes fizeram na conquista e descobrimento dos mares e terras do Oriente), assim chamadas por, à semelhança da história liviana, agruparem os acontecimentos por livro em períodos de dez anos. A primeira década saiu em 1552, a segunda em 1553 e a terceira foi impressa em 1563. A quarta década, inacabada, foi completada por João Baptista Lavanha e publicada em Madrid em 1615, muito depois da sua morte.
Não obstante o seu estilo fluente e rico, as "Décadas" conheceram pouco interesse durante a sua vida. É conhecida apenas uma tradução italiana em Veneza, em 1563. Dom João III, entusiasmado com o seu conteúdo, pediu-lhe que redigisse uma crónica relativa aos acontecimentos do reinado de Dom Manuel - o que João de Barros não pode realizar, devido às suas tarefas na Casa da Índia, tendo a crónica em causa sido redigida por outro grande humanista português, Damião de Góis. Diogo do Couto foi encarregado mais tarde de continuar as suas "Décadas", adicionando-lhe mais nove. A primeira edição completa das 14 décadas surgiu em Lisboa, já no século XVIII (1778 — 1788).
Em Janeiro de 1568 sofreu um acidente vascular cerebral e foi exonerado das suas funções na Casa da Índia, recebendo título de fidalguia e uma tença régia do rei Dom Sebastião. Faleceu na sua quinta de Alitém, em Pombal, a 20 de Outubro de 1570. Morreu na mais completa miséria, sendo tantas as suas dívidas que os filhos renunciaram ao seu testamento.
Enquanto historiador e linguista, João de Barros merece a fama que começou a correr logo após a sua morte. As suas "Décadas" são não só um precioso manancial de informações sobre a história dos portugueses na Ásia e são como que o início da historiografia moderna em Portugal e no Mundo.
Escreveu também, entre outras obras: Crónica do Imperador Clarimundo 1522; Rhopicapneuma ou Mercadoria Espiritual 1532; Grammatica da Língua Portuguesa com os Mandamentos da Santa Madre Igreja 1540; Diálogo da Viciosa Vergonha 1540; Diálogo sobre Preceitos Morais.
Diogo do Couto nasceu em 1542c. – Goa e faleceu em 10 de Dezembro de 1616 foi historiador português.
Nasceu em 1542, em Lisboa estudou Latim e Retórica no colégio de Santo Antão e Filosofia no Convento de Benfica. Em 1559 vai para a Índia, donde só regressaria uma década depois. Amigo íntimo de Luís Vaz de Camões, vai descobri-lo na Ilha de Moçambique em 1569, com dívidas e sem dinheiro para voltar. Diogo do Couto e outros amigos disponibilizam-se para ajudar o poeta, que deste modo poderá apresentar na capital a sua maior obra, os Lusíadas.
No entanto voltou de novo ao Oriente, tendo recebido do Rei Filipe I a missão de prosseguir as "Décadas" de João de Barros.Escreveu as que vão da IV à XII, mas só publicou completas a IV, V e VII e um resumo da VIII e IX porque VI ardeu na casa de imprensa, a VIII e IX foram roubadas, XI perdeu-a.
Entendeu que a história deve conter as "verdades" sem restrições, acaba por sofrer repressões, dizendo como objectividade incomodava muita gente cujos antepassados estavam envolvidos nos acontecimentos que narrava. Este historiador criticou os abusos, a corrupção e as violências correntes na Índia, protestando abertamente contra eles.
Além das "Décadas", de orações congratulatórias e comemorativas que proferiu em solenidades no Oriente, e do relato do naufrágio da Nau S. Tomé, escrito na História Trágico-Marítima, escreveu também o célebre Diálogo do Soldado Prático, que contém uma critica mordaz ao funcionalismo na Índia, pondo a descoberto a ambição da riqueza, o amor ao luxo, a opressão aos pobres, a falta de dignidade e a deslealdade nas informações ao Rei.
SOBRE A OBRA
Esta grande obra que teve sua primeira edição em Volumes I (1552), II (1553), III (1563) e IV (1615) continua a ser o grande trabalho dedicado à exploração e à expansão Portuguesa. O historiógrafo de Philip II, Diego de Couto de sua própria investigação analisou o declínio da influência Portuguesa no Oriente. Escrito por iniciativa do rei, primeira edição a ser publicada em meados do século XVI, e ainda é considerado como um dos supremos de exploração e colonização européia, e inclui trabalhos sobre o célebre Magalhães e suas descobertas nas Américas. O primeiro volume, Asia de Ioam de Barros, foi publicada em 1552, e os subseqüentes volumes da sua obra em 1555, 1563 e 1615. Foi continuado por Diogo de Couto, Royal historiógrafo de Phillip II, cujo trabalho é geralmente mais crítico. Couto não só reforça Barros na inicial da discussão, mas também expande sobre os argumentos a favor da diminuição da influência Português no leste.
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