Autor: Joseph Raulin
Tradutor: R. D. A.
Gravador: J. Barros
Publicação: Lisboa, na Regia Officina Typografica
Edição: 1ª. ed. - 1772
Descr. Física: 16mo. - 15x10.5x2 cm
Idioma: Português
Paginação: 12 p.n.n. + x + 209 p. + 2 f.est.
Conservação: Muito bom; algumas manchas de umidade; dois picos de insetos que atingem somente as bordas, sem afetar o texto; enc. cansada, nec. algum restauro.
Encadernação: Enc. da época inteira em couro marrom escuro, lombada gravada em dourado.
Ilustração: 2 f. est. desdobr.; algumas vinhetas, tarjas e uma capitular.
Valor: R$2.600,00
Notas: Por baixo do pé de imprensa: "Com licença da Real Meza Censoria"
Na p. de tít., peq. grav. xilogr. "escudo das armas Reais".
Pert. ms. na f. de rosto "Ary de Mesquita 1934".
F. est. desdobr. com 12 figuras de posições fetais.
SOBRE O AUTOR
Joseph Raulin nasceu em Ayguetinte no ano de 1708 e morreu em Paris em 12 abril 1784, foi um obstetra francês, médico em comum a Louis XV.
Formado pela Faculdade de Medicina de Bordeaux , foi médico de Louis XV, censor real e inspetor de águas minerais.
Foi membro da Royal Society de Londres a partir de 1763 e professor de medicina na Faculdade Real em 1776. Autor de vários livros de Ginecologia e Obstetrícia , alguns dos quais foram traduzidos em várias línguas.
SOBRE A OBRA
Esta obra foi o primeiro trabalho moderno sobre assistência neo-natal que se imprimiu em Portugal e teve a proteção de Ribeiro Sanches, conforme explicita o tradutor na dedicatória que dirige ao médico português.
Seguindo a trilha dos manuais de obstetrícia franceses traduzidos para o português, destacamos Breves instruções sobre os partos a favor das parteiras das províncias (1772), do médico francês Joseph Raulin, com título original de Instructions succintes sur les accouchements en faveur des sages-femmes de province (1769).
Esta obra tinha por público-alvo as parteiras do interior da França; a instrução era considerada como eixo fundamental para o ofício destas profissionais, as quais deveriam aliar conhecimento e comportamento virtuoso. O autor ocupou muitas páginas do seu manual para tratar do batismo, e parecia apoiar os esforços da Igreja Católica francesa, segundo a qual muitas crianças morriam sem este sacramento. Tal apelo calou fundo na sociedade portuguesa, profundamente marcada pela religiosidade católica.
Raulin achava necessária a instrução das mulheres no campo da obstetrícia, mas considerava prudente a imposição de vetos, capazes de manter os limites de atuação entre os praticantes da arte do parto. O discurso do médico era cáustico e não deixava dúvidas de que a parturição se tornava um negócio de médicos e cirurgiões.
O autor discorreu sobre os órgãos que servem ao parto (útero, pélvis ou bacia, cóccix, vagina) e possíveis defeitos que atrapalham a expulsão da criança. Em seguida, tratou do cordão umbilical; da expulsão das ”secundinas“, item que constituía motivo de grandes preocupações dos médicos; e da posição do feto. Foram abordados também os sinais que precedem o parto e a formação do prognóstico. Por fim, a obra ocupou-se dos três tipos de parto – natural, dificultoso ou trabalhoso, além daquele que é contra a natureza – e de como a parteira deveria proceder em cada um deles.
A segunda edição deste obra saiu em 1818.
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