Autor: Antonio José dos Reis Lobato
Publicação: Lisboa, na Regia Officina Typographica
Edição: 2ª. ed. - 1771
Descr. Física: 16mo. - 15x10x2 cm
Idioma: Português
Paginação: 1 f.b. + xxxi + 229p. + 1 p.n.n. + 1 f.b.
Conservação: Muito bom; algumas f. com leve sinal de amarelamento; algumas poucas anot. da época; nas f.b. e contra capas anot. da época; pequeno rasgo na borda inferior da p. 67, mas sem perda de texto.
Encadernação: Enc. da época inteira em couro marrom mosqueado, lombada gravada em dourado
Ilustração: Duas vinhetas e duas capitulares
Valor: R$2.800,00
Ref. Ext.: Innocencio 1, 175
Notas: Por baixo do pé de imprensa: "Com licença da Real Meza Censoria"
Na p. de tít., pequena grav. xilogr.
Contém p. de erratas.
SOBRE O AUTOR
Há indícios de que tenha nascido por volta de 1721 e falecido em 1804, mas desconhecido o local; foi cavaleiro da Ordem de Cristo e bacharel em Leis pela Universidade de Coimbra. Escreveu apenas duas obras, a que aqui oferecemos e um Elogio ao Exmo. Sr. Sebastião José de Carvalho (Marques de Pombal), impresso em Lisboa em 1773 em 16 p.
SOBRE A OBRA
Ao contrário do que afirma Innocencio em seu Dicionário Bibliográfico a primeira edição desta obra é realmente de 1770.
A Arte da Grammatica da Lingua Portugueza, escrita por Antonio Jose dos Reis Lobato, foi publicada durante o Período Pomabalino (1750-1777), época em que o estado português pôs em prática um amplo programa de reformas, cujo objetivo era racionalizar a administração sem enfraquecer o poder real. A base dessas mudanças deveria ser, segundo Pinto (1988), ao menos em relação ao que declarava o déspota esclarecido Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo, (1699 – 1782)), a modernização do ensino; assim, o político é apontado como responsável: pelo rompimento definitivo com o ensino jesuítico; pela adesão a métodos experimentais com disponibilização de laboratórios especializados, hospitais e observatórios para estudos científicos; e pela criação do Colégio dos Nobres, cujo programa incorporava o ensino obrigatório do português, e no qual a Grammatica de Reis Lobato foi adotada oficialmente como manual de ensino. A Arte de Reis Lobato tinha, pois, finalidade bem definida: ser instrumento didático para a implementação do ensino público do português.
Segundo Reis Lobato, existiriam dois principais motivos para o ensino da gramática da língua materna: primeiro, o falar-se “sem erros” a língua portuguesa; segundo, saberem-se os fundamentos da língua (LOBATO, 1770, p. VII). Acrescenta, ainda, ser grande vantagem conhecer a gramática materna para “desembaraçar-se” no aprendizado de qualquer outra, já que existiriam muitos “princípios” comuns a todas as línguas (LOBATO, 1770, p. X).
Para justificar a importância da composição de sua gramática, Reis Lobato afirmava que as anteriores (Oliveira (1522); Barros (1540); Roboredo (1619), Pereira (1672) e Argote (1721)) tinham diversos problemas, entre os quais se destaca o fato de se basearem na gramática latina. Para Reis Lobato, seria necessário, além de desprender-se da forma da gramática latina, ensinar a língua portuguesa antes de qualquer outra língua. Esse ponto de vista pode ser relacionado ao objetivo de Pombal de afirmação de Portugal como nação.
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